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	<title>Paulicéia Desvairada</title>
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	<description>Olhares enviesados da vida Paulistana</description>
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		<title>Paulicéia Desvairada</title>
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		<title>Carta ao meu futuro filho</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Jan 2012 23:11:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>camiladelira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[feminismo]]></category>
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		<category><![CDATA[igualdade]]></category>

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		<description><![CDATA[Não sei se vocês sabem, mas quero ter filhos. Dois. Um deles, pelo menos, menino. E, vide os muitos acontecimentos machistas e homofóbicos vistos nos últimos 2012 anos tempos, achei que era quase imperativo eu fazer uma listinha de coisas que falarei ao meu garoto: 1. Se você vir fotos de você bebê usando macacões rosa, ou [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=paullistania.wordpress.com&amp;blog=5484227&amp;post=161&amp;subd=paullistania&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft" style="border-color:initial;border-style:initial;" title="De mãe pra filho" src="http://www.mystudios.com/art/modern/picasso/picasso-mother-and-child.jpg" alt="" width="225" height="280" /></p>
<p>Não sei se vocês sabem, mas quero ter filhos. Dois. Um deles, pelo menos, menino.</p>
<p>E, vide os muitos acontecimentos machistas e homofóbicos vistos nos últimos<span style="color:#ff0000;"><span style="text-decoration:line-through;"> 2012<del> anos</del></span></span> tempos, achei que era quase imperativo eu fazer uma listinha de coisas que falarei ao meu garoto:</p>
<p>1. Se você vir fotos de você bebê usando macacões rosa, ou roupas com flores: não estranhe. Não farei você aprender que uma cor é ligada a nenhum gênero. Se você ficar lindo de roxo, usará roxo. Se ficar lindo de azul, usará azul. Se ficar mais lindo ainda de cor de burro quando foge a tarde, será essa a cor de sua roupa.</p>
<p>2. Por favor, divida os seus brinquedos. Com todos, sempre! É divertido brincar em conjunto.</p>
<p>3. Brinque com meninas.</p>
<p>4. Tenho certeza que adorará o seu quarto cheio de brinquedos. Carrinhos, bola, panelinhas, vassourinhas e mini-cozinhas.</p>
<p>5. Quando for para a escolhinha, tenha &#8220;amiguinhas&#8221; e não &#8220;namoradinhas&#8221;. Meninas e meninos podem ser amigos sem nenhum interesse por trás, e é bom que perceba isso desde pequeno.</p>
<p>6. Se a mamãe seguir pelo caminho que vai no trabalho, é capaz que ela muitas vezes tenha que viajar ou passar algumas horas a mais na redação. Não se sinta desprestigiado ou não-amado. Entenda, a mamãe quis muito ser o que é, desde que era do seu tamanho. Ela ama o que faz um pouco menos do que te ama, mas ama, de qualquer forma.</p>
<p>7. Nunca, em hipótese alguma, tire sarro ou humilhe alguém porque essa pessoa é diferente de você. São todos iguais a você, filho. Trate as pessoas, de todas as idades, gêneros, credo e cor de pele de maneira educada e respeitosa. Sem esperar nada em troca.</p>
<p>8. Nunca seja conivente com humilhações alheias. Ficar em silêncio é tão ruim quanto, de fato, humilhar.</p>
<p>9.  Se você se interessar por futebol, legal. Se gostar de basquete, legal. Se for ballet, legal. Se tiver vontade de tocar tuba, legal. Se quiser fazer teatro, legal.  Nada disso lhe tornará menos menino.</p>
<p>10. Se alguém te chamar de &#8220;gay&#8221; ou &#8220;mulherzinha&#8221;, responda: &#8220;muito obrigado&#8221;.  Nenhum desses nomes é xingamento, não para você, pelo menos. Não entre no preconceito dos outros.</p>
<p>11. Tente duvidar da maioria. Nem sempre aquilo que é bom é feito por todos.</p>
<p>12. Respeite as leis. Nem sempre elas farão um benefício direto para você. As leis existem para um bem comum. Se, depois de você seguir as leis, perceber que algumas não dão certo: fale. Tente mudá-las, não as burle.</p>
<p>13. Nunca trate uma mulher, garota ou menina como objeto. Nem como rainha. Elas são iguais a você.</p>
<p>14. Dentro disso de objeto, não sinta a necessidade de &#8220;comprar&#8221; alguém. Se for pagar a conta para uma garota com que sair [olha como estou me adiantando!], faça por gentileza, e não porque você quer alguma coisa &#8220;a mais&#8221; com ela.</p>
<p>15. Não deixe as suas cuecas aparecendo para fora da roupa. É feio e extremamente deseducado. Se você não pode ver a calcinha de uma menina, mesmo quando ela senta de saia, é bom que ela não seja obrigada a ver as suas roupas de baixo. (No ensejo, não olhe a calcinha das meninas, ou o sutiã, elas não são objetos)</p>
<p>16.  Adolescência é complicada, compre Playboys/ G Magazines e veja filmes Pornô, se sentir vontade. Mas coloque na sua cabeça que nada disso é real.</p>
<p>17. Se quiser ter o cabelo comprido, tenha. Caso puxar o meu, ficarei feliz em te dar dicas sobre os melhores shampoos e condicionadores.</p>
<p>18. Se nascer branco, não tema os negros ou suspeite deles. Se nascer negro, não odeie os brancos, mais ódio não é algo que o mundo precise.</p>
<p>19. Quer gostar de metal? Goste! De funk? Goste. De axé? Goste. Desde que não escute nada disso tão alto que incomode as pessoas do seu lado. Ninguém é obrigado a gostar e apreciar aquilo que você gosta.</p>
<p>20. Use sempre camisinha. Sempre.</p>
<p>21. Se nascer hétero e acontecer um &#8220;acidente&#8221; com a sua namorada, nunca, em hipótese alguma, NUNCA, pergunte : &#8220;Você tem certeza que é meu?&#8221;. É ofensivo e repulsivo. Ela está falando com você, é lógico que o filho é seu.</p>
<p>22. Se nascer homo e quiser adotar, farei de tudo para ajudar. Mas não peça para eu cuidar sempre de seu filho, a responsabilidade é completamente sua.</p>
<p>23. Caso seu pai faleça, ou ele desaparecer da face da terra, ou eu não ter um companheiro, por favor, não sinta a necessidade de ser o &#8220;homem da casa&#8221;. Na verdade, não use a expressão &#8220;homem da casa&#8221; em hipótese alguma.</p>
<p>24. Nunca &#8220;compre&#8221; de fato, uma mulher. Nem seja conivente com isso. É degradante.</p>
<p>25. Não se sinta &#8220;menos homem&#8221; se, por ventura, você chorar, quiser mostrar seus sentimentos, cuidar de sua aparência ou achar que seus pensamentos são complicados.</p>
<p>26. Gostar de meninos não te fará menos homem. Continuará sendo o meu garoto!</p>
<p>27. Ficar com muitas meninas não te fará mais homem! Acredite.</p>
<p>28.  Se uma menina estiver se &#8220;insinuando&#8221; para você, rolar aquele clima e ela falar não. Respeite-a. Não é sempre não.</p>
<p>29. Nunca, de hipótese alguma, diga coisas indecorosas para uma mulher que não conhece. Principalmente se ela estiver andando na rua.</p>
<p>29. Evite brigar. Se acontecer algum desentendimento, e, acredite, eles vão acontecer bastante, não se valha da sua força, além da do argumento.</p>
<p>30.  Nunca, em hipótese alguma, nunca, nunca, se aproveite de ninguém que está em um estado pior do que o seu.</p>
<p>31. Aprenda a lavar, passar e cozinhar. Não precisará pagar ninguém para fazer isso, muito menos pedir que sua parceira faça por você.</p>
<p>Sou nova, ainda vai demorar um pouco para eu ter filhos. Então, se tiver um menino, siga um pouco dessa lista. Ensine essas coisas pro seu filho. Talvez a sociedade se torne mais equalitária daqui a um tempo.</p>
<br /> Tagged: <a href='http://paullistania.wordpress.com/tag/feminismo/'>feminismo</a>, <a href='http://paullistania.wordpress.com/tag/filho/'>filho</a>, <a href='http://paullistania.wordpress.com/tag/igualdade/'>igualdade</a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/paullistania.wordpress.com/161/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/paullistania.wordpress.com/161/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/paullistania.wordpress.com/161/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/paullistania.wordpress.com/161/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/paullistania.wordpress.com/161/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/paullistania.wordpress.com/161/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/paullistania.wordpress.com/161/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/paullistania.wordpress.com/161/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/paullistania.wordpress.com/161/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/paullistania.wordpress.com/161/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/paullistania.wordpress.com/161/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/paullistania.wordpress.com/161/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/paullistania.wordpress.com/161/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/paullistania.wordpress.com/161/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=paullistania.wordpress.com&amp;blog=5484227&amp;post=161&amp;subd=paullistania&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">camila.delira</media:title>
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		<title>Fones de ouvido</title>
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		<pubDate>Sat, 06 Aug 2011 03:19:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>camiladelira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
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		<description><![CDATA[Confesso, não era uma pessoa que conhecia os caminhos do transporte público quando morava em Santos. Não usava ônibus de jeito nenhum, sempre arranjava um jeito de pegar carona com pai de amiga, ligava pra mãe e afins. Pois bem, apesar de todos os apertos e desapertos, trânsitos e furtos, aprendi a usar [e até [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=paullistania.wordpress.com&amp;blog=5484227&amp;post=153&amp;subd=paullistania&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Confesso, não era uma pessoa que conhecia os caminhos do transporte público quando morava em Santos. Não usava ônibus de jeito nenhum, sempre arranjava um jeito de pegar carona com pai de amiga, ligava pra mãe e afins. Pois bem, apesar de todos os apertos e desapertos, trânsitos e furtos, aprendi a usar [e até a ver alguns pontos positivos] no bus aqui em São Paulo. É só colocar o fone de ouvido, torcer pro motorista não ser um maluco e ir.</p>
<p>Ou não, né?</p>
<div id="attachment_154" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><a href="http://paullistania.files.wordpress.com/2011/08/2010-08-08_11-39-04_205.jpg"><img class="size-medium wp-image-154 " title="Praça da Independência - Santos" src="http://paullistania.files.wordpress.com/2011/08/2010-08-08_11-39-04_205.jpg?w=300&#038;h=197" alt="" width="300" height="197" /></a><p class="wp-caption-text">não, a foto não é minha, #droga</p></div>
<p>Num dia desses nas minhas tão magras férias agora de julho, fui até o centro de Santos para buscar meu passaporte e, de lá, fui até o Gonzaga. Eu e meu inseparável companheiro, o ipod roxo [que, junto dos livros 5, 6 e 7 do Harry Potter foram meu conforto neste fim de junho/início de julho]. Qual foi a minha surpresa quando as pessoas do ônibus me olharam de maneira estranha quando coloquei os foninhos brancos do iPod?  Primeiro achei que a música estava muito alta. Não.  Então não liguei muito, estava um sol lindo e o õnibus segui até que um caminho legal.</p>
<p>Só depois me liguei que ninguém, NINGUÉM no ônibus estava usando fone de ouvido. Nem nas ruas. Ninguém nas ruas do gonzaga [ou até mesmo nas ruas do meu bairro, no mercadinho do lado] andava com fone de nada. Sem contar que o ritmo em que andava era quase maluco para as pessoas do meu lado. Percebi que passava esbarrando nelas &#8211; e que elas, por sua vez, me olhavam assustadas -, como se estivesse com muita pressa de chegar a lugar algum. Afinal, estava de férias e, naquele dia em específico, não tinha nenhum horário marcado com ninguém.</p>
<p>É interessantemente assustador como nos acostumamos com certos hábitos. Como nos tornamos insensíveis a eles. Acho que naquele momento, ou melhor, um pouco depois desse passeio de ônibus por Santos que comecei a me dar conta o quanto São Paulo é violento. Não nos índices de homicídio ou morte. Mas violento com o nosso tempo interno. São Paulo tem o poder de acelerar a nossa vida e de nos tornar mais auto-centrados. Cada um no seu quadrado.</p>
<p>Qual a razão, afinal, de uma pessoa escutar música enquanto anda na rua? Por que não escutar os barulhos da rua? Qual o mal em escutar as pessoas do ônibus?  Quer dizer, será que a gente precisa ser entretido a todo momento a ponto de esquecer que vive numa cidade com outras pessoas? Qual o problema em saber da existência dela?</p>
<p>Olha, eu tenho uma teoria sobre isso. Eu não, Marc Augé. Esse cara escreveu sobre como a supermodernidade está nos levando a criar &#8216;não lugares&#8217;, ou seja, lugares que servem apenas para a passagem de pessoas. Lugares com as quais as pessoas não se identificam mais. Dentro dessa ideia, eu gostaria de acrescentar que as grandes cidades, como São Paulo, exigem certas adaptações de seus moradores. Para a nossa sobrevivência, criamos máscaras de impessoalidade. Eu não sei o que ocorre com a pessoa do meu lado, ela não sabe o que acontece comigo, nós vivemos bem, cada um a nossa vida, e é capaz de nunca mais nos encontrarmos no transporte público.</p>
<p>No cotidiano, São Paulo é uma cidade impessoal. As ruas são não lugares. Não criam vínculos. Pelo menos, acho que sou impessoal no meu cotidiano. Os ônibus são meus grandes não-lugares; mais impessoal do que nunca. E esse contato com uma cidade pessoal no seu dia a dia, como Santos, foi uma lembrança de que, ás vezes, é melhor apenas apreciar os sons da cidade do que qualquer música da minha playlist ou preferir o contato com elas do que o touch do ipod ou, até mesmo, achar melhor caminhas ao meu ritmo e não ao ritmo de Arcade Fire*.</p>
<p>*Uma coincidência : o álbum The Suburbs, do Arcade Fire, fala exatamente sobre a diferença que se tem entre a vida dos suburbios e a vida das cidades. Cada qual com o seu tipo de amarra.</p>
<br /> Tagged: <a href='http://paullistania.wordpress.com/tag/arcade-fire/'>Arcade Fire</a>, <a href='http://paullistania.wordpress.com/tag/frio/'>Frio</a>, <a href='http://paullistania.wordpress.com/tag/individualidade/'>Individualidade</a>, <a href='http://paullistania.wordpress.com/tag/santos/'>Santos</a>, <a href='http://paullistania.wordpress.com/tag/sao-paulo/'>São Paulo</a>, <a href='http://paullistania.wordpress.com/tag/tempo/'>Tempo</a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/paullistania.wordpress.com/153/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/paullistania.wordpress.com/153/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/paullistania.wordpress.com/153/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/paullistania.wordpress.com/153/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/paullistania.wordpress.com/153/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/paullistania.wordpress.com/153/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/paullistania.wordpress.com/153/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/paullistania.wordpress.com/153/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/paullistania.wordpress.com/153/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/paullistania.wordpress.com/153/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/paullistania.wordpress.com/153/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/paullistania.wordpress.com/153/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/paullistania.wordpress.com/153/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/paullistania.wordpress.com/153/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=paullistania.wordpress.com&amp;blog=5484227&amp;post=153&amp;subd=paullistania&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">camila.delira</media:title>
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			<media:title type="html">Praça da Independência - Santos</media:title>
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		<title>Igualdade, sem mais</title>
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		<pubDate>Fri, 06 May 2011 05:11:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>camiladelira</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Vi um casal, menino e menina, andando de mãos dadas hoje na Paulista. Ela mais baixa, ele a abraçando com um braço, pela esquerda.Passavam-me tanta tranquilidade que fiquei feliz por eles. Vi outro casal, menino e menino, também na Paulista. No McDonalds, sentados, conversando com as mãos unidas em cima da mesa. Me comovi pelos [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=paullistania.wordpress.com&amp;blog=5484227&amp;post=142&amp;subd=paullistania&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Vi um casal, menino e menina, andando de mãos dadas hoje na Paulista. Ela mais baixa, ele a abraçando com um braço, pela esquerda.Passavam-me tanta tranquilidade que fiquei feliz por eles. Vi outro casal, menino e menino, também na Paulista. No McDonalds, sentados, conversando com as mãos unidas em cima da mesa. Me comovi pelos olhares que trocavam e também fiquei feliz pelo tipo de sentimento que percebi entre ambos.</p>
<p><img class="alignright" title="Igualdade" src="http://edaa.in/image/womenrights.gif/image" alt="" width="239" height="307" /></p>
<p>Não defendo a homossexualidade, simplesmente porque não acho que ela é uma vergonha ou um problema ou um desvio, dessa forma, não precisa ser justificada e muito menos defendida. Respeito tudo que tem a ver com o mundo gay, assim como respeito tudo que tem a ver com o mundo feminino e com o mundo masculino. Afinal, realmente acredito que somos todos iguais.</p>
<p>Por isso vejo a homofobia de maneira tão estranha. Para mim, honestamente, ela não faz sentido algum. Se homens e mulheres são iguais, não faz diferença se eles se gostem entre eles, elas ou êlas. É simples, bizarramente simples. Não sei porque assusta tanto. Aliás, até consigo pensar o porquê. mas ele não me convence a ponto de tornar este sentimento plausível.</p>
<p>Outra coisa que não compreendo: pessoas que diferem homofobia de machismo. Não compreendo, de verdade. O que mais escuto desse pessoal que é &#8220;contra&#8221; a homossexualidade (como se tivesse como ser contra algo que vem da pessoa. é como ser contra existirem pessoas de cabelo enrolado ou ser contra a existência de ruivos) é que um homem gay, por exemplo, incomoda por ter atitudes femininas &#8220;anti-naturais&#8221;. Se uma pessoa não consegue respeitar outra por achar que esta tem &#8220;traços femininos&#8221;, como ela consegue respeitar alguém totalmente feminino? Como consegue respeitar, cem por cento, uma mulher?</p>
<p>E o que raios significa ser homem ou ser mulher? O que raios significa ter feminilidade ou ter traços femininos? Significa falar mais baixo? Andar rebolando? Ter algum cacoete com a mão? Usar roupas apertadas? Pintar as unhas? Se preocupar com a aparência? Vocês conseguem enxergar como a visão do gay é absurdamente preconceituosa com a mulher?  E a masculinidade?O que é? É usar roupas largas? Falar grosso? Andar de maneira desengonçada?Coçar as partes íntimas? Gostar de futebol? Usar o cabelo curto? Novamente, simplificação do que é ser homem. Como conseguiram transformar o lado psicológico do gênero em pequenas ações idiotas que não significam porcaria nenhuma? E como as pessoas conseguem cair nessa história?</p>
<div class="wp-caption alignleft" style="width: 245px"><img class="   " title="Agenda Política dos Gays" src="http://paullistania.files.wordpress.com/2011/05/nationalequalitymarchgayagendaphoto.jpg?w=235&#038;h=176" alt="" width="235" height="176" /><p class="wp-caption-text">A Agenda Política Gay: 1. Igualdade 2. Ver o item 1</p></div>
<p>&#8220;Mas não é normal. Se fosse, um casal de gays poderia conceber um filho&#8221;. Toda vez que escuto alguma frase do gênero, a minha vontade é de perguntar se a pessoa em questão usa algum método contraceptivo. Porque se usa, bem, ela também não é normal, afinal não está transando pra conceber. E ainda falam da anatomia. Volto à vontade de perguntar, na lata, se a pessoa faz ou já recebeu um boquete. Porque se sim, bem, ela também não é natural. Afinal, segundo a natureza pregada por esta mesma pessoa, bem, a boca não foi feita para isso. Se, segundo eles, o ânus só foi feito para&#8230;defecar. A boca &#8216;só&#8217; foi feita pra se comer e beber.</p>
<p>O normal é conformado. O normal é juiz, jurado e júri. O normal não aceita questões. O normal não aceita. O normal não muda, é igual desde que nos conhecemos por gente. Por que, então, o normal é bom? Novamente, não faz sentido algum.</p>
<p>De qualquer forma, acho que prefiro focar nos casais que vi hoje. Um segredinho: o segundo estava mais feliz que o primeiro. Acho que hoje podia, <a href="http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/saimos+da+marginalidade+diz+casal+sobre+decisao+do+supremo/n1300153775813.html">eles tinham lá os seus motivos</a>.</p>
<br /> Tagged: <a href='http://paullistania.wordpress.com/tag/homofobia-nao/'>homofobia não</a>, <a href='http://paullistania.wordpress.com/tag/homossexualidade/'>homossexualidade</a>, <a href='http://paullistania.wordpress.com/tag/humanismo/'>humanismo</a>, <a href='http://paullistania.wordpress.com/tag/igualdade/'>igualdade</a>, <a href='http://paullistania.wordpress.com/tag/sao-paulo/'>São Paulo</a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/paullistania.wordpress.com/142/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/paullistania.wordpress.com/142/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/paullistania.wordpress.com/142/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/paullistania.wordpress.com/142/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/paullistania.wordpress.com/142/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/paullistania.wordpress.com/142/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/paullistania.wordpress.com/142/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/paullistania.wordpress.com/142/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/paullistania.wordpress.com/142/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/paullistania.wordpress.com/142/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/paullistania.wordpress.com/142/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/paullistania.wordpress.com/142/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/paullistania.wordpress.com/142/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/paullistania.wordpress.com/142/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=paullistania.wordpress.com&amp;blog=5484227&amp;post=142&amp;subd=paullistania&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">camila.delira</media:title>
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		<title>Uma noite qualquer</title>
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		<pubDate>Thu, 24 Feb 2011 02:23:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>camiladelira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[observação]]></category>
		<category><![CDATA[São Paulo]]></category>

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		<description><![CDATA[A leve brisa de verão se intensifica e eleva o tecido da minha saia levemente para a esquerda. O tempo passa enquanto espero minha amiga em frente a um bar. A calçada está em construção e eu me posiciono estrategicamente encostada numa pilha de pisos que, algum dia, estarão colados ao chão. Uma menina passa [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=paullistania.wordpress.com&amp;blog=5484227&amp;post=135&amp;subd=paullistania&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A leve brisa de verão se intensifica e eleva o tecido da minha saia levemente para a esquerda. O tempo passa enquanto espero minha amiga em frente a um bar. A calçada está em construção e eu me posiciono estrategicamente encostada numa pilha de pisos que, algum dia, estarão colados ao chão.</p>
<p>Uma menina passa apressadamente do outro lado da rua. Um carro para na minha frente. Saem dele dois senhores ricos de meia idade, um segura um blackberry e o outro uma sacola com uma marca de jacarézinho. O do blackberry usa seu aparelho para ligar para uma amiga, possivelmente aniversariante, e pergunta para ela quando ela chegará ao local em que estão. Eles seguem para o bar ao lado de onde estou. Um relâmpago corta o céu.</p>
<p>A rua parece uma linha limite, um meridiano: de um lado prédios, de outro bares. O neon azul da entrada do lugar em que estou ilumina uma parte do meu rosto, a outra parte do meu rosto é iluminada por algo amarelo e laranja. Essas cores vem do bar que, no quesito faixa etária dos frequentadores, se difere bastante daquele que irei.</p>
<p>Indo para o lado oposto da maioria das pessoas está uma dupla de trabalhadores. Ambos estão suados e parecem estar voltando do ambiente de trabalho. Duas ou três pessoas atravessam a rua com seus respectivos cães. Um desses cães tem a língua para fora e resiste aos puxões da coleira de seu dono. O fogo que aquece os amendoins que um senhor tenta vender aos transeuntes dá um tom amarelado à calçada. A cada passo do vendedor, o fogo se move mais, ameaçadoramente. Por alguns segundos parece que ele irá queimar toda a mercadoria; nos segundos restantes, ele segue, seguro, em sua pequena gaiola.</p>
<p>Um garoto alto passa marchando. Seus passos parecem acompanhar a música que apenas ele está escutando. Um outro rapaz não tem tanta sutileza e deixa a música que escuta aberta para todos em um celular preso à alça esquerda da sua mochila. Mais um relâmpago corta o céu, que fica levemente avermelhado.</p>
<p>Uma mãe caminha de mãos dadas de sua filha, que chora silenciosamente. Uma garota vestida com roupas de ginástica trota em passos largos carregando duas pequenas sacolas de supermercado.Uma outra garota, mas recém-arrumada sai da entrada principal de seu prédio. Ela olha para os lados, abre a bolsa e a fecha novamente. Desce as escadas e, sem demora, entra num táxi.Uma vez ou outra esses carros atravessam os pontos direito e esquerdo do meu olhar na rua.</p>
<p>Um carro prateado para bem na minha frente. Os vidros escuros se abrem, uma menina olha através de uma fresta nele. Decepção: o bar onde me encontro ainda está bem vazio. Tal informação é passada de pessoa em pessoa no carro, eles decidem não se incomodar em sair dele.  O barulho do motor do carro se perde e um silêncio momentâneo se instala. Até que novos barulhos de motores cortam o ar e novos carros aparecem na vista.</p>
<p>Mais um relâmpago brilha nos céus. Mas este veio acompanhado de um vento mais forte. É, parece que vai chover mesmo.</p>
<br /> Tagged: <a href='http://paullistania.wordpress.com/tag/observacao/'>observação</a>, <a href='http://paullistania.wordpress.com/tag/sao-paulo/'>São Paulo</a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/paullistania.wordpress.com/135/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/paullistania.wordpress.com/135/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/paullistania.wordpress.com/135/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/paullistania.wordpress.com/135/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/paullistania.wordpress.com/135/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/paullistania.wordpress.com/135/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/paullistania.wordpress.com/135/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/paullistania.wordpress.com/135/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/paullistania.wordpress.com/135/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/paullistania.wordpress.com/135/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/paullistania.wordpress.com/135/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/paullistania.wordpress.com/135/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/paullistania.wordpress.com/135/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/paullistania.wordpress.com/135/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=paullistania.wordpress.com&amp;blog=5484227&amp;post=135&amp;subd=paullistania&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">camila.delira</media:title>
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		<title>Conto de Fadas</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Feb 2011 01:13:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>camiladelira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[Santos]]></category>
		<category><![CDATA[São Paulo]]></category>

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		<description><![CDATA[Quando menina, seu sonho era enamorar-se com o menino mais bonito da região. Todos o amavam e ela seguia esse pensamento. O menino parecia retribuir o sentimento de todos. Alguns anos se passaram e a situação não mudou. A menina cresceu, ficou tão bonita quanto o menino era. O menino ficou ainda mais lindo, agradável [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=paullistania.wordpress.com&amp;blog=5484227&amp;post=131&amp;subd=paullistania&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright" title="fairy tale" src="http://fc00.deviantart.net/fs28/f/2008/110/a/a/Fairy_tale_by_CoffinFairy.jpg" alt="" width="269" height="403" />Quando menina, seu sonho era enamorar-se com o menino mais bonito da região. Todos o amavam e ela seguia esse pensamento. O menino parecia retribuir o sentimento de todos.</p>
<p>Alguns anos se passaram e a situação não mudou. A menina cresceu, ficou tão bonita quanto o menino era. O menino ficou ainda mais lindo, agradável e amável. Ela não conseguia chamar a sua atenção, nada que ela tinha parecia fazer com que ele caíssem em seus encantos.</p>
<p>Quando teve a incrível ideia para conquistá-lo, um forasteiro apareceu. O forasteiro era estranho, tinha ideias bizarras, divertidas, agitadas. Nada do que a menina estava acostumada e, surpreendentemente, ela não se afastou, não conseguiu se separar daquilo que lhe era tão diferente. Ela foi dragada pelos ideais do forasteiro, com seu sotaque de outros lugares e com promessas absurdamente diferentes.</p>
<p>Todos ficaram em choque quando viram o que estava acontecendo entre ambos. Perceberam, e bem, que ali tinha algo mais. Passaram a perguntar para a pobre menina &#8220;como você prefere ele?&#8221; &#8220;ele é sujo, por que não continua com o menino lindo?&#8221;. E ela, confusa com toda a situação, não respondia.</p>
<p>Depois de um tempo, tudo se esclareceu para ela. Não estava destinada para o menino bonito, mesmo se quisesse. Estava destinada para mais, para o mundo que o forasteiro lhe trazia. Foi mais ou menos nessa época que passou a responder &#8220;porque sim&#8221; para todas as questões ferinas desferidas a ela.</p>
<p>O menino bonito continuou sendo lindo a seus olhos e ainda despertava muito carinho. Mas foi o forasteiro que conseguiu o seu coração.</p>
<p>Essa menina sou eu. Esse forasteiro é São Paulo; o menino bonito é Santos.</p>
<p>Parabéns pelos seus 457 anos, São Paulo! Essa é minha declaração para você!</p>
<br /> Tagged: <a href='http://paullistania.wordpress.com/tag/santos/'>Santos</a>, <a href='http://paullistania.wordpress.com/tag/sao-paulo/'>São Paulo</a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/paullistania.wordpress.com/131/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/paullistania.wordpress.com/131/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/paullistania.wordpress.com/131/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/paullistania.wordpress.com/131/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/paullistania.wordpress.com/131/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/paullistania.wordpress.com/131/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/paullistania.wordpress.com/131/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/paullistania.wordpress.com/131/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/paullistania.wordpress.com/131/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/paullistania.wordpress.com/131/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/paullistania.wordpress.com/131/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/paullistania.wordpress.com/131/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/paullistania.wordpress.com/131/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/paullistania.wordpress.com/131/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=paullistania.wordpress.com&amp;blog=5484227&amp;post=131&amp;subd=paullistania&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">camila.delira</media:title>
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		<media:content url="http://fc00.deviantart.net/fs28/f/2008/110/a/a/Fairy_tale_by_CoffinFairy.jpg" medium="image">
			<media:title type="html">fairy tale</media:title>
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		<title>Top of the pops</title>
		<link>http://paullistania.wordpress.com/2010/12/22/top-of-the-pops/</link>
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		<pubDate>Wed, 22 Dec 2010 16:28:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>camiladelira</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O espírito de fim de ano baixou em mim. Apesar de ainda não ter entrado de férias, nem de recesso ainda, sinto que preciso começar a enterrar este 2010! Por isso, resolvi terminar o ano neste blog do jeito que comecei: com cinema. Na verdade, isso só surgiu agora, eu queria mesmo era falar dos [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=paullistania.wordpress.com&amp;blog=5484227&amp;post=107&amp;subd=paullistania&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O espírito de fim de ano baixou em mim. Apesar de ainda não ter entrado de férias, nem de recesso ainda, sinto que preciso começar a enterrar este 2010! Por isso, resolvi terminar o ano neste blog do jeito que comecei: com cinema. Na verdade, isso só surgiu agora, eu queria mesmo era falar dos filmes que vi no ano.</p>
<p>Depois de fazer uma lista e de pensar um tanto, resolvi que farei um Top 10 de 2010! E o mais incrível é que esta lista contará apenas com os filmes que vi no cinema! Em tempo, mais de metade dos filmes que costumo ver são anteriores a 2000 [1/3 deles são anteriores a 1970!], o que me deixa bastante confusa quanto aos filmes a que assisti no ano.</p>
<p>Antes de começar a fazer a lista em si, preciso dizer que fiquei bastante surpresa ao perceber o quanto eu não vi os &#8220;lançamentos do ano&#8221;. E não faço isso porque não gosto de filme hollywoodiano ou porque quero manter uma postura-de-pessoa-inteligente, eu apenas tenho preguiça de pegar fila grande no cinema [algo mais do que comum quando se trata de um grande lançamento nos cinemas paulistanos. são DUAS filas, btw, se você tiver sorte de passar pela fila da bilheteria, terá uma outra na porta do cinema, para as pessoas garantirem seus lugares. Paulistanos e filas, um caso de amor]. E outra:confesso que muita informação, propaganda e comentários antes de qualquer filme me deixam bodeada para assisti-lo. Essa é a razão primordial para que não tenha visto Tropa de Elite 2 até a presente data. Fico deixando para depois e eles saem do cinema. Thats life.</p>
<p>E agora, rufem os tambores, a lista está aqui:</p>
<p><strong>1. Cópia Fie</strong>l (Certified Copy, 2010 &#8211; Abbas Kiarostami)</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 508px"><img class="     " title="Cópia Fiel" src="http://paullistania.files.wordpress.com/2010/12/copie-conforme-copie-conforme-certified-copy-19-05-2010-19-05-2010-4-g.jpg?w=498&#038;h=279" alt="" width="498" height="279" /><p class="wp-caption-text">Elle (Juliette Binoche), James Miler (William Shimell) e uma cidadezinha da Itália: precisa de mais?</p></div>
<p>De todo este top 10, este é o único filme que está devidamente rankeado. Foi, de longe, o melhor filme a que assisti em 2010! Vi numa sessão sábado à tarde no Reserva Cultural como parte da Mostra. Esse filme trata as feridas e traumas que o amor causa de uma maneira simples e tem uma delicadeza nada comum no cinema do Kiarostami [um iraniano que resolveu fazer um filme com uma francesa e um ingles na Itália] . Elle [Juliette Binoche] parece não conhecer o escritor James Miler [William Shimell]e também aparenta ser bastante encantada por este inglês. Quando ele está fazendo uma palestra em Toscana, a francesa o convida para uma pequena viagem. A relação de ambos é estranha eles compartilham intimidades demais para serem meros desconhecidos, mas são distantes demais para serem íntimos. Eles andam por uma pequena vila da Toscana, lindíssima, conversam, trocam opiniões.E o que era para ser um filme de romance se transforma em drama com traços de comédia. Nas nuances de diálogo a relação dos dois se desvenda, o passado vem à tona e a pergunta que fica no ar é: o que é aparência? O que é a cópia e o que é o real? Se for falar mais do filme, não consigo terminar a lista. Só recomendo que se você não o viu , por favor, baixe agora ou espere ele estrear no primeiro trimestre de 2011. Vale a pena!</p>
<p><strong>2. Minha Felicidade</strong> (Schastye Moe, 2009 &#8211; Sergei Loznitsa)</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 494px"><img class="    " title="Minha Felicidade" src="http://a69.g.akamai.net/n/69/10688/v1/img5.allocine.fr/acmedia/medias/nmedia/18/78/23/52/19452126.jpg" alt="" width="484" height="323" /><p class="wp-caption-text">Georgy (Viktor Nemets) no frio doloroso do inverno russo e do mutismo traumático</p></div>
<p>Bem, esse filme foi tema do post anterior a este. Só preciso acrescentar que o teor político do filme pode assustar um pouco, mas é uma história que deve ser contada. Georgy [Viktor Nemets] é um caminhoneiro que se perde na estrada e acaba caindo numa emboscada de ladrões de carga. Os ladrões batem nele antes de ver o que carrega em seu caminhão (farinha: nada valioso). Nesse momento, o destino de todos muda violentamente. E Georgy, antes tranquilo e simpático como a primavera em que dirige, fica traumatizado, doente e mudo, como o inverno em que o filme termina.</p>
<p><strong>3. Soul Kitchen </strong>(Idem, 2009 &#8211; Fatih Akin)</p>
<span class='embed-youtube' style='text-align:center; display: block;'><iframe class='youtube-player' type='text/html' width='500' height='312' src='http://www.youtube.com/embed/4vahK-lpOKA?version=3&amp;rel=1&amp;fs=1&amp;showsearch=0&amp;showinfo=1&amp;iv_load_policy=1&amp;wmode=transparent' frameborder='0'></iframe></span>
<p>Ufa! Tava ficando muito séria a lista. Até parece que sou uma pessoa densa, cult e centrada. Vem para a lista uma comédia engraçadíssima do diretor turco-alemão Fatih Akin. Antes de falar da história preciso comentar a trilha sonora. Fatih Akin é DJ em Hamburgo nas horas vagas e conhece uma galerona de músicos. Não era de se estranhar que Soul Kitchen tivesse música até no nome! A trilha desse filme tá incrível! É uma mistura de funk dos anos 70 com música balcânica [destaque para Manolis, do Dj Shantel, que encerra o trailer acima]! A história é trági-cômica Zinos Kazantsakis [Adam Bousdoukos] é um ascendente de grego que tem um restaurante numa área pouco nobre de Hamburgo. A comida do local é tão ruim quanto o lugar em si, e ele decide mudar as coisas quando conhece um cozinheiro maluco [que ama tacar facas nas paredes] . Com um golpe de sorte, uma academia de dança abre ao lado do bar e o Soul Kitchen vira um sucesso [com ajuda dos pratos 'chiques' do chef Shayn] ! Nesse meio tempo, Zinos tem que cuidar de um irmão trambiqueiro, de uma namorada que foi para Xangai e de uma hérnia de disco. Tudo isso de maneira engraçadissima e ritmada!</p>
<p><strong>4.Tudo pode dar certo </strong>(Whatever works, 2009 &#8211; Woody Allen)</p>
<span class='embed-youtube' style='text-align:center; display: block;'><iframe class='youtube-player' type='text/html' width='500' height='312' src='http://www.youtube.com/embed/8CFLKpRm1Bw?version=3&amp;rel=1&amp;fs=1&amp;showsearch=0&amp;showinfo=1&amp;iv_load_policy=1&amp;wmode=transparent' frameborder='0'></iframe></span>
<p style="text-align:left;">É, se não tivesse um do Woody Allen a lista não estaria completa! Vi este filme sozinha no Belas Artes. Cheguei em casa, e corri para baixar Manhattan, também do Allen. É impressionante como o Woody Allen sabe filmar Manhattan, onde Tudo pode dar certo acontece! Não estou falando mal de &#8216;Vicky, Cristina, Barcelona&#8217;, longe de mim. Mas dá para perceber quando alguém volta para casa. Nova York propulsiona o encontro de Boris (Larry David, que faz um Woody Allen perfeito!) e Melody (Evan Rachel Wood). Um senhor, físico inteligentíssimo e uma menina do interior que quer ser atriz. As tiradas pessimistas de Boris nos tomam conta, logo no começo do filme ele fala : Se você quer um filme para se sentir bem, vai lá e pede uma massagem no pé. No fim, é um filme para se sentir bem, mesmo com o pessimismo. Os pais de Melody também aparecem em Nova York, também mudam por causa da cidade: é o poder devastador que a dúvida traz. Apenas as grandes cidades podem colocar certos tipos de questionamentos na cabeça das pessoas. E apenas certos personagens conseguem fazer com que tais questionamentos se transformem em ações.</p>
<p style="text-align:left;"><strong>5. A Origem</strong> (Inception, 2010 &#8211; Christopher Nolan)</p>
<p style="text-align:left;"><span class='embed-youtube' style='text-align:center; display: block;'><iframe class='youtube-player' type='text/html' width='500' height='312' src='http://www.youtube.com/embed/0PIg7ttyegA?version=3&amp;rel=1&amp;fs=1&amp;showsearch=0&amp;showinfo=1&amp;iv_load_policy=1&amp;wmode=transparent' frameborder='0'></iframe></span></p>
<p style="text-align:left;">Pronto, Hollywood apareceu! Com um filme de alta classe, se quer saber. Nolan, diretor de Batman &#8211; O Cavaleiro das Trevas, deu o tom do filme mais surreal que os de Buñuel. Lembro de ter lido uma crítica de &#8220;A Origem&#8221; escrita pelo Calligaris em que ele falava que este foi o primeiro filme que conseguiu captar o que é um sonho. As ações se interpõem, os efeitos são estonteantes e a turma de atores está em sintonia. Como explicar &#8220;A Origem&#8221;?  Cobb (Leo DiCaprio) junta uma turma para colocar a ideia na mente de alguém, no lugar de roubá-la como estava acostumado.Além disso, ele tem que lidar com seu próprio inconsciente assombrado pela figura de Mal (Marion Cotillard, DIVA!). Quando entram no mundo dos sonhos, os tempos se diferem, e o filme passa a ter duas, três, quatro realidades ao mesmo tempo. A história tem camadas, todas elas devidamente explicadas em palavras ou com efeitos especiais. Se é uma coisa que Nolan não tem esta é sutileza.  Mas o filme funciona muito bem assim!</p>
<p style="text-align:left;"><strong>6. Abutres</strong> (Carrancho, 2010 &#8211; Pablo Trapero)</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 486px"><img class="   " title="Abutres" src="http://roteiroaberto.files.wordpress.com/2010/11/abutres.jpg?w=476&#038;h=203" alt="" width="476" height="203" /><p class="wp-caption-text">Sosa (Ricardo Darín) e Luján (Martina Gusman) o social, o amoroso e o político. Go Argentina!</p></div>
<p style="text-align:left;">Sabe aqueles filmes que te deixam pregados na cadeira do cinema? Então, este é &#8220;Abutres&#8221;. Confesso que nunca tinha assistido nada do Trapero antes, mas fiquei curiosa. Este filme tem trama e tem crítica social. Sosa (Darín) trabalha como &#8220;carrancho&#8221;, ou seja, fica a espreita de acidentes de trânsito para falar com os acidentados e burlar as leis de indernização. Tudo poderia ser pintado de maneira muito política e violenta se não houvesse Luján (Martina Gusman), uma médica de pronto-socorro por quem Sosa se apaixona. As cenas não se fazem de rogadas, o sangue aparece mesmo, as mortes aparecem mesmo. Nisso, as personagens se escondem. A violência pode ser exposta,  mas as personagens não. Em &#8220;Abutres&#8221; se mostra exatamente como o cinema argentino consegue versar sobre temas políticos sem ser considerados militantes e conseguem falar sobre romance sem ser piegas.</p>
<p style="text-align:left;"><strong>7. Os Inquilinos </strong>(Idem, 2009 &#8211; Sérgio Bianchi)</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 456px"><img class="   " title="Os Inquilinos" src="http://cinemagrafado.files.wordpress.com/2010/03/os-inquilinos-4.jpg?w=446&#038;h=297" alt="" width="446" height="297" /><p class="wp-caption-text">Válter (Marat Descartes) como o trabalhador da classe D</p></div>
<p style="text-align:left;">A prova cabal de que o cinema brasileiro não precisa falar da favela como ambiente socio-economico e sim como local psicológico. O medo está presente em todo esse filme do Bianchi, é algo paralizante. Válter (Marat Descartes) mora na periferia de São Paulo em uma casa com sua mulher e os dois filhos, eles moram . Tudo muda na vida deles e da vizinhança quando uma turma meio estranha passa a se alojar na casa ao lado: não se sabe se são traficantes, ladrões ou estupradores. Só se sabe que eles são malvados. A figura dos vizinhos é a personificação do diabo interno que cada um tem em si. Válter teme pela segurança de sua família e, mais do que tudo, teme pela sua impotência perante os estranhos. Falando em temer e medo, uma voz conhecidinha da gente aparece no filme: Datena! Sim, a família de Válter assiste ao programa do Datena que, inflamado, faz com que o terror paire pela aura das personagens.</p>
<p style="text-align:left;"><strong>8. À Prova de Morte</strong> (Death Proof, 2007  - Quentin Tarantino)</p>
<p style="text-align:left;"><span class='embed-youtube' style='text-align:center; display: block;'><iframe class='youtube-player' type='text/html' width='500' height='312' src='http://www.youtube.com/embed/3KESiELlf_M?version=3&amp;rel=1&amp;fs=1&amp;showsearch=0&amp;showinfo=1&amp;iv_load_policy=1&amp;wmode=transparent' frameborder='0'></iframe></span></p>
<p style="text-align:left;">Não, não fiquei maluca, o filme é mesmo de 2007. Tarantino fez esse filme para ser a primeira parte de &#8220;Grind House&#8221;, junto com &#8220;Planeta Terror&#8221; de seu amigo Robert Rodrigues. Como se pode observar, a distribuição no Brasil foi #epicfail: Planeta Terror já estava em DVD para alugar quando A Prova de Morte chegou aos cinemas. Mesmo assim, o filme não perde a sua força. Ele é curto, violento, sádico e engraçado: uma boa síntese do cinema de Tarantino.  A história é maluca &#8211; como sempre &#8211; envolve um personagem meio estranho quase-sem nome [O Dublê Mike, vivido por um Kurt Russel bem badass] que tenta matar mulheres com o seu carro &#8220;a prova de morte&#8221;. Mas as mulheres de Tarantino não são nada ingênuas e pacíficas, por isso o Dublê Mike toma o revés da sua vida. As falas afiadas e a trilha sonora brega/hype também aparecem em &#8220;A Prova de Morte&#8221; [ Hold Tight e Chick Habbit são músicas presentes em minhas playlists até agora]. É, portanto, um filme de puro entretenimento a la Tarantino.</p>
<p style="text-align:left;"><strong>9. Guerra ao Terror</strong> (The Hurt Locker, 2009 &#8211; Kathryn Bigelow)</p>
<p style="text-align:center;">&nbsp;</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 514px"><img class="  " title="Hurt Locker" src="http://cineindiscreto.files.wordpress.com/2010/06/guerra-ao-terror.jpg?w=504&#038;h=284" alt="" width="504" height="284" /><p class="wp-caption-text">Sargento William James (Jeremy Renner) numa guerra interna com certas explosões externas</p></div>
<p>Entre as curvas esburacadas da estrada de BH a Tiradentes, alguns críticos de cinema comentavam sobre &#8220;Guerra ao Terror&#8221;, mais precisamente sobre Kathryn Bigelow. &#8220;Ela dirige feito macho&#8221;, brincou um. Ri e não comentei porque não conhecia nem a diretora, nem o filme. Não tardou para assisti-lo e concordar: ela dirige mesmo feito homem. Guerra ao Terror é desprovido de sentimentalismos, mensagens pacifistas e nojinhos femininos [sou mulher, acho que posso falar da minha 'classe']. Mesmo assim, o filme é político, sentimental e pacifista! Nas entrelinhas da linguagem documental, a realidade aparece e o medo transborda. Os militares do filme não vivem uma guerra clássica de bem contra o mal ou de eixo contra aliados. Nem eles sabem como são seus inimigos. Uma das melhores cenas é quando eles estão no meio do deserto atirando a esmo e se escondendo de outros tiros vindos do nada. Como Abutres, Guerra ao Terror prende você na cadeira, você termina o filme mais tenso do que quando o começou a ver. Afinal, cinema bão é aquele que te derruba mais que a realidade.</p>
<p style="text-align:left;"><strong>10. A Rede Socia</strong>l (The Social Network, 2010 &#8211; David Fincher)</p>
<p style="text-align:left;"><span class='embed-youtube' style='text-align:center; display: block;'><iframe class='youtube-player' type='text/html' width='500' height='312' src='http://www.youtube.com/embed/kAwIKMYN6UU?version=3&amp;rel=1&amp;fs=1&amp;showsearch=0&amp;showinfo=1&amp;iv_load_policy=1&amp;wmode=transparent' frameborder='0'></iframe></span></p>
<p style="text-align:left;">Tanto o filme acima quanto este tem uma coisa em comum: conseguem retratar uma geração de maneira quase documental. Enquanto o Guerra ao Terror tem um jeito quase todo documental, a película de Fincher é mais  sensível e puxada para ficção, o que não a torna menos real whatsoever. O ritmo da fala de Zuckerberg (Jesse Eisenberg), Saverin (Andrew Garfield) e Sean Parker (Justin Timberlake arrasando) reproduz a velocidade de um perfil no Facebook com muitos amigos: rápido, confuso e hiperlinkado.  Podia ficar falando do Fincher, mas prefiro apontar para a edição do filme que também faz juz ao Facebook. Consegui entender e me ver no filme. Cresci com a internet semi-consolidada, minha pré-adolescencia já foi na Web 2.0 . Tive blogs, orkut e agora twitter e facebook. Ou seja, sou mesmo geração y, sou mesmo uma parte do A Rede Social. Na minha humilde opinião, os críticos que falaram que as personagens do filme &#8220;retratam uma geração&#8221; são velhos e estão errados. É o ritmo, a edição, a trilha sonora e o background que retratam a Geração Y, não os dramas e falhas das personagens.</p>
<p style="text-align:center;"><strong>Menção Honrosa [ou a prova de que não sirvo para fazer listas]</strong></p>
<p style="text-align:left;"><strong>1. As Melhores Coisas do Mundo </strong>(Idem, 2010 &#8211; Laís Bodanzky) &#8211; Tenho uma relação especial com esse filme. Acompanhei a sua filmagem e ele foi tema da minha primeira matéria na Revista de CINEMA no ano passado.  Não imaginava que o filme fosse ser tão bom! O que mais me chamou atenção nele é que As Melhores Coisas do Mundo é &#8230;real! Nada de adolescentes-que-tomam-suco da Malhação. É uma galera do mal, como bem lembro que foram no colegial, que fui no colegial. E tem Beatles. Não preciso dizer mais nada!</p>
<p style="text-align:left;"><strong>2. Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte I</strong> (Harry Potter and the Deathly Hallows Part I, 2010 &#8211; David Yates) &#8211; Este é o meu lado harrypottermaníaca falando. Este foi o primeiro filme que, de fato, fez juz ao livro. E isso é muito! Pela primeira vez , também, o Radcliffe convenceu como protagonista.</p>
<p style="text-align:left;"><strong>3. Beyond</strong> (Svinalängorna, 2010 &#8211; Pernilla August) &#8211; Filme bergmaniano feito por uma atriz que atuou num filme de Bergman! Ironias do destino à parte. O filme é um soco no estômago ao tratar do passado familiar de uma mãe de família aparentemente feliz.  Leena (Noomi Rapace) lembra de si mesma quando pequena (a íncrivel Tehila Blad) e de tudo que passou quando seu pai sucumbiu ao alcoolismo. Isso acontece porque ela descobre que sua mãe está no hospital. A relação das duas coloca em cheque tudo que Leena sente por ela mesma, por suas filhas e pelo seu passado.  Tem outra coisa retratada nesse filme: a relação Finlândia e Suécia.</p>
<p style="text-align:left;"><strong>4. Recife Frio</strong> (Idem, 2009 &#8211; Kléber Mendonça Filho) &#8211; O curta já foi tema de um post inteiro aqui neste blog. Por isso, seria muito injusto se eu não o citasse como um dos melhores e mais criativos filmes que vi em 2010.</p>
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			<media:title type="html">camila.delira</media:title>
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			<media:title type="html">Cópia Fiel</media:title>
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			<media:title type="html">Minha Felicidade</media:title>
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			<media:title type="html">Abutres</media:title>
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			<media:title type="html">Os Inquilinos</media:title>
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			<media:title type="html">Hurt Locker</media:title>
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	</item>
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		<title>A suprema profundidade</title>
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		<pubDate>Thu, 11 Nov 2010 03:06:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>camiladelira</dc:creator>
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		<category><![CDATA[cinema]]></category>
		<category><![CDATA[pensamentos desconexos]]></category>
		<category><![CDATA[simplicidade]]></category>
		<category><![CDATA[Yuri]]></category>

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		<description><![CDATA[Semana retrasada aconteceu a formatura do namorado da minha prima. Colação de grau em medicina, muito, MUITO barulho, muitos, MUITOS formandos. Fiquei distraindo o filhinho dele, que é uma das minhas maiores paixões do mundo. Ele se chama Yuri, tem 1 ano e uns 8 meses, ama música e é fofissimo. Pois bem, no meio [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=paullistania.wordpress.com&amp;blog=5484227&amp;post=103&amp;subd=paullistania&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Semana retrasada aconteceu a formatura do namorado da minha prima. Colação de grau em medicina, muito, MUITO barulho, muitos, MUITOS formandos. Fiquei distraindo o filhinho dele, que é uma das minhas maiores paixões do mundo. Ele se chama Yuri, tem 1 ano e uns 8 meses, ama música e é fofissimo. Pois bem, no meio daquele barulho, muitas pessoas sendo chamadas para pegar o diploma, o Yuri queria correr por todos os cantos. Fiquei com medo dele sair correndo, estava de salto e não conseguiria nunca ir atrás. Por isso, resolvi sentar com ele no chão e peguei uns papéizinhos laminados que estavam ali. Eram daqueles tipos de papéis picados que as máquinas jogam para o ar, e fazem uma chuva de prata ['que cai sem parar' #videokefeelings]. Jogava o papel pra cima e esperava cair. E esse ato serviu para entreter o Yuri.</p>
<p>Era como se eu tivesse passando o desenho predileto dele em cada papel que caía, tão grande a atenção que ele dava aos papeis. Quando o papelzinho caía em cima dele, então&#8230; esperava chegar perto da perna , ria e batia palmas. No meio daquela balbúrdia, era naquilo, e apenas naquilo que ele olhava. Os papéis eram o mundo dele. Quanta simplicidade! Quanta profundidade!</p>
<p>Muda a cena, o assunto nem tanto. Assisti ao filme &#8220;Minha Felicidade&#8221; (Schastye Moye), filme russo de diretor ucrâniano &#8211; Sergei Loznitsa &#8211; na Mostra. Aliás, assisti numa das últimas sessões da repescagem da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Era um filme que queria ver desde que li o quanto Luis Carlos Merten falou dele em Cannes, no começo do ano. A sessão aconteceu na Cinemateca, numa sala gelada. O frio da sala era intensificado pelas cenas de neve &#8211; que começam a surgir da metade para o final do filme &#8211; e pelo fato de eu estar com uma roupa &#8220;de verão&#8221;. Mas não me incomodava em nada, tinha entrado no filme.</p>
<p>Estava ali, dentro dele, até quando escutava o barulho incômodo das personagens andando na neve. Quase senti meus pés molhados. Quando o filme terminou, as luzes foram ligadas, saí da sala, embasbacada com a fodice do que tinha acabado de assistir, nem percebi as outras pessoas da sala. Parecia o baby Yuri, com toda a sua atenção voltada para o papelzinho laminado. No caso, eu tinha voltado todas as minhas atenções para as cenas, história e língua do filme [sim, gosto de escutar russo #prontofalei].</p>
<p>O filme é profundo, com elementos simples, quase tão translúcido quanto o papelzinho laminado. Ele mostra uma imagem cruelmente verdadeira de como a violência e a burocracia operam na Rússia pós-socialismo. O filme não só mostra, mas também mexe em algumas feridas meio podres do país, como a violência internalizada nas pessoas. A miséria de espírito e a perda de moral que ocorre apenas quando as pessoas ficam desesperadas. O tom da história é de desespero contido. Sabe quando você está com raiva, mas ninguém pode saber que está? Sabe quando você faz aquela besteira, mas ninguém pode saber que você fez?</p>
<p>A polidez da personagem principal é logo quebrada pela jovem [quase criança, pra falar a verdade] prostituta. E é massacrada pelos ladrões de estrada. O que acontece é que esta personagem principal, Georgy, é um caminhoneiro que percorre o interior da Rússia para levar sua carga de farinha. Parte do começo do filme é uma câmera na boleia, bem pra você vê a precariedade das estradas cosacas. Quando se vê em um engarrafamento, Georgy conhece uma jovem prostituta e decide  levá-la para sua cidade natal. Como cavalheiro, ele dá o dinheiro para a adolescente comprar comida e ir para casa. Ela, irada, briga com ele na cena que acho mais crucial do filme. Um diálogo que amaldiçoa Georgy: &#8220;não preciso do seu dinheiro, nem da sua compaixão&#8221;, ela fala. &#8220;Você não voltará amanhã para me dar mais. Posso ganhar dinheiro com o que tenho, com isso [bate nas suas...partes íntimas]&#8221; e joga o dinheiro em cima dele.</p>
<p>Sem entender, ele vai embora, mas se perde e para em uma estrada de terra no meio do bosque. É aí que tudo se perde, mesmo. Georgy confia em um ladrão de estrada e tudo se torna um devaneio. Um devaneio sobre a violência. Uma violência desnecessária, suja. Porque você sabe que ela vem para que algumas pessoas se deem bem. Pessoas que poderiam ter uma profissão, mas preferiram roubar. Dentro disso, ainda entram pequenas histórias, facetas da Rússia. Um menino se torna mudo depois de ver seu pai, um professor pacifista, ser morto por soldados cosacos. Georgy emudece e se transforma. É uma porrada, direto no estômago. Como eles podem viver assim? Por que isso está acontecendo? É o frio? Que realidade é essa?</p>
<p>Nem tudo é falado. Mas quase tudo é mostrado. Uma explicação pode residir no fato de que Loznitsa é documentarista, sabe captar a realidade em cenas. Mesmo na ficção mais maluca existe um tipo de realidade da qual não se consegue fugir. O que mais choca nesse filme é seu senso racional e objetivo. Nem Loznitsa, nem Georgy querem mudar o mundo; nem apenas retratá-lo. É um belíssimo gancho de direita, se querem saber. Se prestar mesmo atenção no filme, não conseguirá ficar incólume a ele. E talvez seja essa a ideia: passar a ação para nós, espectadores.</p>
<p>Não sei de vocês, mas eu não gosto de ter a minha inteligência menosprezada, nem hipervalorizada, por pessoas. Minha relação com o cinema, dessa forma, reflete isso. Não vou ser uma espectadora passiva que aceita e se ajoelha para qualquer coisa que me é contada. Quero poder entender um pouco mais. Cinema é apenas uma invenção. Arte é apenas uma invenção. Por que eu não posso inventar também? Por que o diretor ou o pintor pode isso? Onde está escrito? Qual é a lei que diz isso? Em que cânone está escrito que as personagens só podem falar e pensar daquele jeito que nos mostram? Por que devo acreditar que o the end é mesmo o final? Por que não posso descobrir as intenções por mim mesma?</p>
<p>São questões demolidoras de bases que me faço. E amaria que as pessoas se fizessem. Porque duvido que as pessoas escolham se acomodar por vontade própria. Duvido que simplicidade seja a mesma coisa que banalidade. O Yuri viu muito mais naquele papelzinho caindo que muitas pessoas assistem em cinemas; ele viu razão, sentido e comicidade naquilo. E isso é de uma profundidade matadora, assustadora. Mas não assustadora o bastante para espantar um bebê com menos de 2 anos de idade. Nem para me assustar. O universo está na frente dos nossos olhos, mas isso não significa que a gente olhe de verdade para ele. É tudo uma questão de treino e de demolição de certezas.</p>
<p>Entre a conformidade e a profundidade, sem dúvidas, escolho a segunda.</p>
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		<title>Marina Martins Colantônio</title>
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		<pubDate>Wed, 23 Jun 2010 03:21:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>camiladelira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Não sei porque fiquei com vontade de escrever sobre ela. Acho que com esse clima todo de futebol no ar, é impossível não lembrar dela. Uma das mulheres mais fortes e inteligentes que já conheci. Dona Marina Martins Colantônio, a dona da aliança que uso na minha mão direita, minha vó. Ela era uma pessoa [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=paullistania.wordpress.com&amp;blog=5484227&amp;post=94&amp;subd=paullistania&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não sei porque fiquei com vontade de escrever sobre ela. Acho que com esse clima todo de futebol no ar, é impossível não lembrar dela. Uma das mulheres mais fortes e inteligentes que já conheci. Dona Marina Martins Colantônio, a dona da aliança que uso na minha mão direita, minha vó.</p>
<p>Ela era uma pessoa engraçada e, no mínimo, peculiar. Conversava com qualquer pessoa que parasse do seu lado, qualquer mesmo. No mercadinho lá perto de casa, em Santos, era uma das clientes mais conhecidas. Ás vezes saía de manhã e só voltava na hora do almoço, porque ficava trocando ideias com o dono do lugar, ou com uma das atendentes. Era cliente mais do que preferencial, tinha um caderneta com o nome dela e a usava pra comprar todas as besteiras que as netas queriam comer.</p>
<p>Quando insistiam em fazer feijão, esta menina chata que vos fala fechava a cara &#8211; não gostava de comer quase nada nessa época &#8211; então ela falava baixinho pra eu não me preocupar. Em questão de minutos, voltava com um prato de macarrão na manteiga pra mim.</p>
<p>Tinha uma letra bonita, redonda e clara. Mas não tinha caderno, anotava tudo em qualquer papel pela casa, desde listas de telefone, até revistas ou agendas antigas. Fazia contas em qualquer lugar e, ocasionalmente, trocava real por cruzeiro e cruzado.</p>
<p>Era difícil fazer com que ela contasse histórias dela. Apesar de muito faladora, ficava em silêncio quando lhe perguntavam coisas de sua vida pessoal. Gostava mesmo era de ensinar; uma vez professora, sempre professora. Tentou me ensinar a fazer conta de dividir com dois números na chave, ficou frustradíssima porque não aprendi direito. Tentou me ensinar a ler e escrever, ficou orgulhosissima porque aprendi direito demais (tinha 4 anos de idade).</p>
<p>Fez magistério e começou a trabalhar para o Estado. Nessa época, para ser professora em alguma escola santista, precisava dar aulas em algumas outras no litoral sul de São Paulo . Assim o fez, mesmo noiva. Falou para meu vô que essa era uma condição para que se casassem: que ele a esperasse e que ela trabalhasse.</p>
<p>Casou-se, como mostra a aliança que ainda uso, no dia 19 de julho de 1955, com quase 31 anos. Guardava cartas da época em que ficou separada de meu vô, quando trabalhava em Registro &#8211; ou Peruíbe, nunca lembro bem qual cidade. Lembro de ter lido apenas uma (clandestinamente, confesso), em que ela se preocupava porque meu vô tinha reclamado de tosse. </p>
<p>Ele morreu no final de 88, e ela não quis procurar mais ninguém. Se brincavam ao dizer para ela procurar algum novo namorado em alguns dos bailes &#8211; famosos bailes &#8211; da terceira idade em Santos, respondia muito séria: &#8220;Mas meu marido já morreu. Meu amor já morreu&#8221;. Recusava-se a pintar o cabelo, mantinha-os brancos e curtos. Mas soube por fotos que já tinham sido encaracolados e castanhos escuros, como os meus. Não furou a orelha, optava por brincos (médios) de pressão.</p>
<p>Enlouquecia minha mãe porque não conseguia dispensar empregadas. Ficava amiga delas, e não entendia o porque das mil exigências com limpeza que a minha mãe fazia. Enlouquecia ainda mais com o meu hábito e de minha irmã de comer na frente da televisão, achava que almoço e janta eram para serem feitos na mesa.</p>
<p>Como aconteceu com o meu pai &#8211; e com o pai dele &#8211; foi absorvida pela família Lira. Era a avó de todos. &#8220;Dona Marina&#8221;. Ah, e sobre o nome, tem uma história que gostava de contar (uma das únicas): diz que na época que tinha 20 e poucos anos, foi num sarau/show de Silvio Caldas; ele resolveu cantar uma música e dedicar a uma pessoa da plateia. Ele olhou para ela, e cantou &#8220;Marina&#8221;. </p>
<p>Quando era criança, ganhava de todos os meninos nos campeonatos de bola de gude. Quando adolescente, disputava lugar com os homens na sala para escutar o futebol no rádio. Era fanática pelo Santos, amava assistir futebol e falar sobre o tema com as pessoas. Morreu antes de ver o Santos campeão brasileiro em 2002, uma pena, ela teria amado gritar ao assistir o &#8216;menino Robinho&#8217; jogar.</p>
<p>Na sua última semana de vida, não quis visitá-la no hospital. Fiquei do lado de fora, nos jardins do Guilherme Álvaro. Escutei, da janela, ela perguntando por mim e dizendo que queria me apresentar aos enfermeiros. Aparentemente, tinha falado de mim para todos. Eu não queria ver aquela pessoa que sempre teve ojeriza a médicos e que sempre tinha sido tão saudável, em um leito coletivo de hospital. Uma parte de mim achava que ela sairia de lá, por isso, seria inútil me colocar aquela imagem na cabeça.</p>
<p>É injusto, muito injusto, que ela conseguisse proferir o orgulho que tinha de mim para os outros [e para mim], e eu não ter conseguido fazer o mesmo com ela.Fiquei debatendo isso na minha cabeça, e decidi que, da próxima vez que fosse para o hospital, entraria no quarto. No dia seguinte, os médicos decidiram induzi-lá ao coma, e perdi minha chance. Não fui ao enterro dela, nem ao funeral. </p>
<p>As únicas homenagens que fiz para ela foram uma gérbera em seu túmulo e este texto.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/paullistania.wordpress.com/94/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/paullistania.wordpress.com/94/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/paullistania.wordpress.com/94/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/paullistania.wordpress.com/94/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/paullistania.wordpress.com/94/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/paullistania.wordpress.com/94/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/paullistania.wordpress.com/94/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/paullistania.wordpress.com/94/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/paullistania.wordpress.com/94/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/paullistania.wordpress.com/94/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/paullistania.wordpress.com/94/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/paullistania.wordpress.com/94/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/paullistania.wordpress.com/94/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/paullistania.wordpress.com/94/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=paullistania.wordpress.com&amp;blog=5484227&amp;post=94&amp;subd=paullistania&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Em nome do Filho</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Jun 2010 04:01:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>camiladelira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[Marcha para Jesus]]></category>
		<category><![CDATA[Paraíso]]></category>
		<category><![CDATA[São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Tiradentes]]></category>

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		<description><![CDATA[Manhã de quinta feira, dia 3 de junho, feriado.  As ruas ecoavam um silêncio estranho para um dia de semana, até mesmo um feriado. Todo o caminho até a estação da Consolação foi  quieto. Como se nenhum carro não quisesse sair nas ruas, como se os motoristas tivessem cansado e tirado um dia de folga. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=paullistania.wordpress.com&amp;blog=5484227&amp;post=84&amp;subd=paullistania&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_87" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://paullistania.files.wordpress.com/2010/06/img_6676.jpg"><img class="size-full wp-image-87" title="céus" src="http://paullistania.files.wordpress.com/2010/06/img_6676.jpg?w=500&#038;h=666" alt="" width="500" height="666" /></a><p class="wp-caption-text">&#039;dont piss heaven off...&#039;</p></div>
<p>Manhã de quinta feira, dia 3 de junho, feriado.  As ruas ecoavam um silêncio estranho para um dia de semana, até mesmo um feriado. Todo o caminho até a estação da Consolação foi  quieto. Como se nenhum carro não quisesse sair nas ruas, como se os motoristas tivessem cansado e tirado um dia de folga. Pedroso livre, Teododo livre, Augusta livre, Paulista às moscas. No metrô,  algumas pessoas ocupavam as cadeiras do trem da linha verde&#8230;</p>
<p>Mas, no Paraíso  tudo mudou.  Uma movimentação surgiu, e urgiu ao chegar na estação Tiradentes. Tudo antes disso foi  uma preparação para o que aconteceria ao sair nesta estação. Um mar verde amarelo de pessoas,  falavam alto, brandava, cantavam apenas um nome: Jesus.</p>
<p>Tudo muito surreal nos olhos &#8211; e ouvidos &#8211; de uma católica falha como esta que vos fala. Vou falar a verdade em dizer que duvido muitas vezes da validade da Biblia como documento histórico, por isso, não consigo acreditar em muitas histórias que são contadas sobre Jesus. Não chego a questionar a sua existência, e sim a sua santidade. E, de qualquer forma, a minha visão do filho de Deus nunca foi a das melhores &#8211; esteticamente falando. Quando pequena tinha medo da figura de Jesus na cruz, achava de uma crueldade tão grande colocar ele ali, de braços abertos, cheio de sangue, com uma coroa de espinhos e um rosto triste.Isso combinado com as minhas péssimas experiências no ambiente da Igreja &#8211; lugares muito escuros, cheio de pinturas e esculturas incriveis escondidas naqueles arcos (como é o caso da Sé ou da Igreja do Embaré, em Santos), acústica ruim com músicas horríveis, palavras incompreensivas de um livro que nunca tive vontade de ler me tornaram uma pessoa muito pouco religiosa.</p>
<p>Nem preciso dizer que estranhei toda a comoção inicial antes da &#8216; Marcha para Jesus&#8217;, a qual tive que acompanhar para o documentário que preparo junto do meu grupo de comparsas, ademais, foi tão conflitante que liguei o botão do sarcasmo. Pois, além de me levar a ser pouco religiosa, todos esses traumas com a Igreja me levaram para outro lado: a ironia critica com todo e qualquer dogma/prática/formato de igrejas que fossem remotamente relacionadas à Católica.</p>
<div id="attachment_88" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://paullistania.files.wordpress.com/2010/06/img_6639.jpg"><img class="size-medium wp-image-88" title="sambistas" src="http://paullistania.files.wordpress.com/2010/06/img_6639.jpg?w=300&#038;h=225" alt="" width="300" height="225" /></a><p class="wp-caption-text">Sambistas em Cristo</p></div>
<p>Eram muitas pessoas, de idades variadas. A maioria delas tinha câmeras digitais, entre os louvores, filmavam e tiravam fotos.Algumas usavam faixas com o nome de Jesus. Que também estampava bandeiras, partes de trás de camisetas, bonés e cartazes. Ao sair da estação com os fios do microfone enrolados no meu ombro, me deparei com algo que não poderia imaginar: trios elétricos. Sim, muitos. Formavam filas, cada qual tocava um tipo de música gospel diferente. Não fazia ideia da quantidade de gêneros que a música gospel conseguia abarcar: de rock a samba enredo.</p>
<p>De qualquer forma, o barulho incomodava um tanto. E a comoção se misturava com festa. Uma festa que não conseguia entender. Não via razão para aquele tipo de louvor, e de reação. A curiosidade é um bichinho estranho, precisa ser matado de vez em quando para continuar crescendo de maneira saudável. Comecei, então, a ler as entrelinhas daquela manifestação, o conflito de imagens de Jesus, enfim, me prestou para alguma coisa. Para aquelas pessoas, bem como para o pessoal sobre o qual estamos fazendo o documentário, Jesus é a personificação do amor ( eu já achava que era a personificação do sacrifício), e o amor deve ser comemorado, louvado. Música, cor, dança, tudo isso faz parte de uma comemoração, não?</p>
<p><div id="attachment_90" class="wp-caption alignright" style="width: 235px"><a href="http://paullistania.files.wordpress.com/2010/06/img_66791.jpg"><img src="http://paullistania.files.wordpress.com/2010/06/img_66791.jpg?w=225&#038;h=300" alt="" title="comoção" width="225" height="300" class="size-medium wp-image-90" /></a><p class="wp-caption-text">crença e esperança</p></div><br />
Sei que é piegas o que contarei agora, mas ampliei um pouco a minha visão quando vi o cartaz ao lado. Uma família, que levava um carrinho de bebê e este cartaz, escutava a uma das orações que um dos pastores fazia no topo do trio elétrico 1.  Todos estavam de olhos fechados, lágrimas escorrendo no rosto e braços levantados. Até o garoto mais novo que levavam com eles. O bebe dormia tranquilamente, gozava do bem que sua família lutou/orou para que tivesse: a vida.</p>
<p>Naquele exato momento eu, com toda minha razão cientifica, não me importei se quem agiu foi a mão do médico ou de Deus, só fiquei feliz porque o bebe estava vivo. Sei que é passível de discussão o que falarei aqui, mas, não me passou outra coisa em mente : se eles precisam acreditar daquela maneira nesta religião para lutarem por suas vidas e pela vida dos outros, então esta religião é válida. </p>
<p>A música continuou alta de mais. O local continuou lotado demais. Tudo muito desconfortável para quem, por certos momentos, segurava uma câmera. E, por quase todos os momentos, não fazia ideia do que estava se passando. Mesmo assim, prefiro ter a imagem desta família como o retrato da &#8216;Marcha para Jesus&#8217;.</p>
<p>Senti um tipo de purificação vinda das lágrimas deles, era amor, fé, satisfação, gratidão e humildade liquefeitos, em gotas que manchavam suas bochechas. Foi no rosto de cada um dessa família, e não nas mil camisetas e trios elétricos, que vi Jesus nesta manhã. </p>
<br /> Tagged: <a href='http://paullistania.wordpress.com/tag/marcha-para-jesus/'>Marcha para Jesus</a>, <a href='http://paullistania.wordpress.com/tag/paraiso/'>Paraíso</a>, <a href='http://paullistania.wordpress.com/tag/sao-paulo/'>São Paulo</a>, <a href='http://paullistania.wordpress.com/tag/tiradentes/'>Tiradentes</a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/paullistania.wordpress.com/84/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/paullistania.wordpress.com/84/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/paullistania.wordpress.com/84/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/paullistania.wordpress.com/84/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/paullistania.wordpress.com/84/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/paullistania.wordpress.com/84/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/paullistania.wordpress.com/84/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/paullistania.wordpress.com/84/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/paullistania.wordpress.com/84/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/paullistania.wordpress.com/84/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/paullistania.wordpress.com/84/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/paullistania.wordpress.com/84/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/paullistania.wordpress.com/84/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/paullistania.wordpress.com/84/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=paullistania.wordpress.com&amp;blog=5484227&amp;post=84&amp;subd=paullistania&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Relações (quase) Humanas &#8211; RH?</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Apr 2010 01:26:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>camiladelira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[Frustração]]></category>
		<category><![CDATA[Michelangelo]]></category>
		<category><![CDATA[RH]]></category>
		<category><![CDATA[Tarantino]]></category>

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		<description><![CDATA[Sabe aquela sensação de que se está usando o sapato errado para a ocasião e/ou roupa? Então, é isso que sinto em entrevistas de emprego. Normalmente, porque vou para esses locais com uma roupa que não uso no meu dia-a-dia, falo de um jeito que não falo no meu cotidiano e ainda tenho que tentar [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=paullistania.wordpress.com&amp;blog=5484227&amp;post=80&amp;subd=paullistania&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sabe aquela sensação de que se está usando o sapato errado para a ocasião e/ou roupa? Então, é isso que sinto em entrevistas de emprego. Normalmente, porque vou para esses locais com uma roupa que não uso no meu dia-a-dia, falo de um jeito que não falo no meu cotidiano e ainda tenho que tentar impressionar o entrevistador em pouco tempo.</p>
<p>Ok, pega esses sapatos desconfortáveis e acrescenta um número complicado de sapateado. É assim que me sinto em entrevistas de emprego. Como uma pessoa que, simplesmente, não se encaixa. E isso, na real, não tem nada a ver com os perfis de vagas, ou com as pessoas que estão fazendo a entrevista comigo &#8211; a maioria delas é simpática &#8211; está mais para o meu desconforto com a situação maquinada. Com atos maquinados.</p>
<p>É uma verdade que você é obrigado a falar certas coisas, aquelas perguntas obrigam qualquer um a dizer uma resposta clichê. &#8220;Por que escolheu o jornalismo?&#8221; , se pudesse responder essa questão de maneira verdadeira seria mais ou menos essa: &#8220;Porque sim&#8221;. Sem mais nenhuma letra do que isso. Ou &#8220;O que você pode acrescentar na nossa empresa?&#8221; &#8220;Nada. Apenas uma pessoa a mais na folha de pagamento. Acho bem dificil uma pessoa tão nova quanto eu mudar uma empresa deste tamanho.&#8221;. Ou, até mesmo: &#8220;Me fale um pouco de você&#8221; &#8220;Eu sou de libra, odeio ervilhas, adoro o céu durante o crepúsculo, adoro o livro crepúsculo também, tenho medo de escuro e, realmente, não dou a mínima para política.&#8221;.</p>
<p>O pior é que esses atos precisam ser maquinados porque eu sei, e vocês também sabem, que existem os outros. A entidade &#8220;outros&#8221;. Os candidatos perfeitos, que leem todos os jornais certos, e falam todas as coisas certas, e usam os sapatos adequadissimos. Parece até que eles nasceram com essas merdas de sapatos grudados no pé. Queriam ser jornalistas desde pequenos, montaram um jornal na escola, entraram na faculdade, não se frustraram nem um pouquinho com a profissão. Príncipes em tudo na vida.</p>
<p>Não entendo o porque da necessidade de se prender em classificações das pessoas. Não consigo ser uma só, não consigo ter apenas um gosto, ou somente uma explicação para cada atitude minha, ou apenas um perfil. Infelizmente, essa é uma boa explicação para que eles digam que não tenho nenhum. Não consigo tolerar que minha criatividade esteja sendo tosada para que um tipo de criatividade-maquinada cresça. Um tipo de atitude que eles seriam capazes de rotular e colocar numa caixinha que diz &#8220;vantagens&#8221; e em outra que diz &#8220;desvantagens&#8221;.</p>
<p>Fico pensando o que responderiam os meus ídolos nessas entrevistas. Gosto de acreditar que a maioria deles não conseguiria passar da terceira fase dos processos seletivos:</p>
<p>&#8220;Quentin o que?Nome diferente esse o seu (risos) É do seu pai ou da sua mãe? Ahh. Certo. Como é sua relação com eles? Ah, tah. E esse seu roteiro aqui, Reservoir Dogs, da onde tirou esse nome? Surgiu da sua cabeça é? Como? Ah, você não saberia dizer (anotação: aparenta ter memória fraca, e ser levemente ansioso na hora das respostas, gesticula muito). Mas, me diz, quais foram as suas experiências anteriores com cinema? Ah, certo, você vendeu dois roteiros&#8230;Mas e antes? Você quer dirigir este filme que está me mostrando, né? Ah, tah. Você era atendente de locadora. Ahn..Entendo. Certamente via muitos filmes não (riso nervoso e anotações febris sobre falta de experiência anterior). Por que decidiu dirigir este? Desculpa, repete o que acabou de dizer (anotação: tende a falar muito palavrão, parece ser meio explosivo; parece não se encaixar em trabalhos em grupo). Eles foderam o seu filme, como? (anotação: não lida muito bem com críticas). Como você se descreve como líder? Ok. Muito obrigada sr. Quintin. Entraremos em contato com você se a resposta for positiva ou negativa (risos e cumprimentos; dois segundos depois, o roteiro está na lata de lixo, junto com o currículo do jovem diretor)&#8221;</p>
<p>&#8220;Senhor Michelangelo, certo? Aqui no seu currículo diz que é pintor, arquiteto, escultor e poeta, como lida com todas essas carreiras? Por que decidiu fazer tudo isso ao mesmo tempo? Porque o senhor  acha que pode, é? Tudo bem. (anotação: egocentrico e com gostos muito diversos, parece confuso). Por que você se acha qualificado para este trabalho na Capela Sistina, o que acha que pode adicionar a ela? Os seus desenhos? Ou os desenhos de Deus? Ah, certo, Deus te deu esse dom para que conseguisse pintar (grifa tres vezes a palavra egocentrico). Mas, pelo que vi do seu portifólio, pintura não é o seu forte, não é mesmo? Por que não é bem assim? Explique o que quer dizer &#8220;é tudo arte&#8221; (anotação: não apresenta objetivo claro; não tem vontade o bastante, desdenha de nossos ideais). Ah, certo, está tudo interligado. Uma pergunta bem importante agora, você pretende usar as regras de proporção e tamanho nas pinturas deste trabalho? Por que o riso, senhor? Ah, sim, eu percebi que você sempre usa essas regras, mas suas estátuas não são muito proporcionais. De propósito? Por quê? (anotação: não segue regras impostas, difícil de se trabalhar em grupo). Senhor Michelangelo, eu não falei em nenhum momento o nome do mestre Da Vinci aqui, não era necessário você amaldiçoá-lo, estamos em uma Igreja, pelo amor de Deus. Você já tem um projeto para o trabalho que propomos? Sim? Posso ver? Não trouxe com você por que? Ah, nada sai do seu ateliê sem você (anotação: demonstra pouca responsabilidade). Certo. Muito obrigado, senhor Michelangelo, entraremos em contato&#8221;</p>
<p>Na carta para senhor Michelangelo &#8220;Muito Obrigado por ter se inscrito no programa para a decoração da Capela Sistina. Infelizmente, o sr. não tem o perfil que procuramos. De qualquer forma, aceitamos ideias para a organização dos afrescos.&#8221;</p>
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