Orquestra, Praia e alguma confusão

Saída de terras paulistanas. Falo aqui da planicie, lá do além Serra. E…já com histórias para contar.

Para continuar a “tradição” a prefeitura da cidade e a Sabesp ofereceram um concerto de graça na praia : a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP) tocaria, como foi no ano passado, bem em frente ao canal 3, no coração da praia do Gonzaga.

Certo, muito legal. Santos é ótima em termos culturais, sério, falo não só como santista. Quer dizer, é a terra de Plinio Marcos, Cacilda Becker e Ney Latorraca. Temos um grande background na área artística. Tanto que, numa cidade de quase 400 mil habitantes, há 3 casas de Teatro fixas (e uma que serve de teatro às vezes); 3 cinemas difentes, e um patrocinado pela prefeitura em que se passam filmes-off-hollywood e 3 lugares para shows consideráveis, sem contar na praia…

De qualquer maneira, voltemos para a Orquestra. E para o show de graça. Bem, o concerto começava às 20 hrs, cheguei lá umas 18 e 40, já que minha mãe precisava estacionar o carro, e a cidade, já, está lotada. Aproveitamos para pegar um lugar mais legal; ficamos na frente do palco. Tinham muitas outras pessoas, sentadas em cadeiras de praia ali perto do palco. A maioria delas, velhinhos e velhinhas (Santos é uma cidade de idosos, fato!).

Quando a orquestra entrou para testar o som, e os intrumentos. Começou um burburinho de reclamação das pessoas que estavam sentadas, para aquelas que estavam de pé.  Os sentados queriam que as pessoas não ficassem de pé na frente deles. O que ocorria era que, nem todos (como eu própria) levaram cadeiras, então, nos restava ficar de pé. Mas, aqueles que levaram as cadeiras achavam que era um absurdo, um desrespeito, de nós ficarmos em pé.

Continuamos em pé, e as pessoas continuaram reclamando. Principalmente, com um grupo de “jovens” que estavam do lado direito. As senhoras reclamavam, falando que aquilo era um desrespeito contra os idosos. Que eles mereciam ficar em pé, e aquelas pessoas não deviam ficar em pé na grande, atrapalhando a visão dela e de mais algumas outras senhoras.

A Orquestra entrou, para começar verdadeiramente o concerto. Primeiro tocou uma música muito bonita, composta por Villa Lobos para um filme. Tudo se silenciou, o maestro, John Neschling , falou que iam começar a tocar o Concerto, que teria 9 movimentos.

Quando a OSESP se preparava para começar, um coro veio das pessoas sentadas falando “Senta, senta…” Neschling olhou, e, acanhado, falou que esa melhor que todos se sentassem. As pessoas sentadas bateram palma, e o coro continuou. O maestro ficou sem saber o que fazer. Porque nessa brincadeira, começou uma pequena briga entre as velhinhas sentadas e as pessoas em pé.

Um grande bate boca. Nessa brincadeira, a Orquestra não tocou nada, ficou lá, presenciando uma das cenas mais vergonhosas que eu já vi em minha vida, uma das materializações mais …vergonhosas.. da falta de educação. Vinda daquelas pessoas em que se esperava que houvesse o mínimo da boa convivencia,  daquelas que todos nós somos ensinados a respeitar.

O maestro ainda interviu mais uma vez, falando que era melhor que as pessoas ficarem do jeito que achassem mais confortável. Mesmo assim, os gritinhos continuaram. E a orquestra ficou de mãos atadas, sem saber o que fazer, já que precisavam do silêncio para começarem a tocar (o concerto começava com o som do vento, feito com instrumentos de sonoplastia no próprio palco).

John Neschling , então, não pensou duas vezes. E se pôs a reger o Hino Nacional. A Orquestra tocou, sem partitura nem nada. Aqueles que estavam mais atrás, não perceberam tal manobra do maestro. Mas, para mim, ficou claro o porquê do uso do Hino: ele queria mostrar qual era a verdadeira civiliade, e queria mostrar para aqueles que a tinham esquecido, que ela ainda existia.

Nessa hora, morri de vergonha. Não cantei o hino. Mas admirei bastante o ato de bravura, e de ousadia do maestro.

Mesmo assim, bateram palma no final do hino.

 

Nessas horas, me envergonho de pertencer a raça humana.

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Puta, Choveu!

Um dia li em algum lugar que o principal artefato que um londrino teria que carregar consigo mesmo era um guarda-chuva. O tempo na Inglaterra é bastante instável, e pode chover a qualquer instante. Não é à toa que na maioria das fotos desse país, principalmente dessa cidade, o céu aparece branco e/ou cinzento.

Ah!Sonho em tomar chuva em Londres!
” Rain, I don’t mind” [The Beatles- Rain]

Bem, não moro em Londres (ainda não, cof-cof), moro em outra cidade chuvorenta: São Paulo. Sim, a chuva aparece bastante aqui na cidade. Principalmente naquelas horas em que não estamos preparados. Como por exemplo, no dia de hoje, em que vim com um vestido muito verão-praia para a faculdade, porque, JURO, às 9 quando vim pra USP, o sol tava de raxar.

Essas mudanças de tempo sempre implicam em coisas maiores do que a simples raiva e/ou xingamento a São Pedro. As pessoas acabam tendo que sempre sair de calça, mesmo num dia de sol, com 40º apontando nos termómetros; sempre se leva um casaco a qualquer lugar que se vai (das duas uma: ou o lugar tem um ar condicionado impossível de se aguentar; ou não se sabe qual será a temperatura daqui a uma hora); sapatos fechados també, tênis são mais usados que sandálias ou chinelos.

O hábito se adapta e se molda à chuva. Mesmo quando ela é só uma promessa…

Ahh.. Existe muito mais entre São Paulo e Londres do que sonha a nossa vã filosofia!