Diário de uma Mostra – Parte II – A Cidade – e as cores

No meio dessas ruazinhas que acontece a Mostra. Para falar a verdade, é no lugar de intersecção dessas ruas, nas praças. Algo muito mais raíz, o cinema aqui é exibido ao ar livre, com direito a muitas pessoas sentadas no chão, e ao barulho de chuva martelando no topo da tenda principal. Sim, para essa segunda parte do meu diário de bordo escolhi escrever sobre o movimento da cidade, algo que chama tanto minha atenção quanto os filmes da Mostra.

Quando se entra, percebe que é uma cidade pequena, calma, mas com alguns resquícios de turística. Percebe-se pelos barzinhos e restaurantes que aqui recebe um número considerável de pessoas pelo ano inteiro. Sigo a lógica de que, se não houvesse ninguém na cidade, não haveria nem metade das lojinhas de artesanato.Por ter nascido em uma cidade turistica, conheço muito bem as dinâmicas que um tipo de local assim oferece.

Mesmo assim, mesmo com a estrutura toda, é bom ter a ideia de que a cidade em que se está é mais calma que a cidade da qual você veio. As portinhas e janelinhas, com os parapeitos coloridos, dão um ar nostálgico. A rua de pedra acastanhada sob o sol da tarde faz com que eu fique com vontade de voltar ao tempo, jogar meus aparelhos eletrônicos fora e começar a viver de agricultura. Outro fator que me ajuda muito nessa vontade de voltar para o século XIX é o fato de meu celular não funcionar em Minas Gerais (problemas da Vivo com a TeleMig – ou melhor Oi!).

No meio da convulsão de pessoas, personalidades, anonimos e cineastas que transitam nos arredores do QG da Mostra – o Centro Cultural – consegui fugir ontem, e andar pela cidade, calmamente. Conversei com alguns donos de lojas e restaurantes, que diziam, quase como num discurso único, o quanto gostavam da mostra e da cidade lotada deste jeito. Sorria a cada resposta, assim como eles sorriam ao saber o quanto gostei daqui.

Enquanto tirava fotos e conhecia a cidade, escutei um barulhinho de bateria. Fui procurar, e descobri o Cortejo das Artes. Durante a Mostra acontece esse Cortejo para a comemoração do aniversário de Tiradentes. Ao som de marchinhas de carnaval, as pessoas da cidade, de fora da cidade, de fora do estado, de fora do país e do planeta, praticamente, pulam pelas ruazinhas em um carnaval antigo e fora de época.

O colorido dessa cidade é diferente,  ela me lembra o Terracota, acho que por causa das estradinhas de pedra… É interessante se observar isso, se sentir as cores que vem de todos os lados. Parece que São Paulo é tão cinza, na verdade, não culpo a cidade, a rotina acinzenta os locais.

Ontem Tiradentes foi uma explosão de cores, algumas crianças estavam fantasiadas. O eco da bateria e dos metais das marchinhas alaranjaram o ambiente; enquanto algumas pessoas o deixaram mais verde. Tudo isso embaixo de um céu azul incrível.

Aqui em Minas a calma e o movimento caminham lado a lado. Ainda bem.

Pra ver a banda passar....

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Um pensamento sobre “Diário de uma Mostra – Parte II – A Cidade – e as cores

  1. Camila, você é uma pessoa muito sensível,mas também muito forte quando precisa ser. Acreito tanto no seu sucesso que sempre apostei todas minhas fichas ………adoro tudo oque voce escreve, viajo em cada detalhe… eu sei que voce acha que comentários de mãe nao vale…..mas o meu vale sim e muito….pois vejo de uma maneira diferente das outras pessoas, sei exatamente a de que fonte esta saindo todas essas palavras…….. TE AMO …………………

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