Diário de uma Mostra – Parte IV – O Tempo

Fato consumado : qualquer paulistano que saia minimamente de São Paulo por mais de dois dias sente uma total diferença no relógio biológico. É como se o corpo estivesse tão acostumado com o ritmo insano da lista de tarefas, que quando não tem um tic tac controlando, começa a doer. Bem, não posso dizer que não tenho coisas para fazer durante a Mostra de Tiradentes, já fiz algumas entrevistas, pretendo fazer outras por esses dias, e escrevi uma boa quantidade de textos para o site da revista.Mas, acima de qualquer coisa, posso afirmar que o ritmo da cidade é completamente….destoante.

Nos restaurantes, espera-se muito mais para receber a comida, por exemplo. É como se eles quisessem que o almoço fosse uma refeição completa, não só com direito a comida, mas também, com um espaço para que as pessoas conversem à mesa. É estranho ver o quanto esse hábito tem sido esquecido por mim mesma, é como se a mesa só servisse para apoiar a minha bolsa, ou para apoiar meu prato enquanto como de maneira rápida e objetiva.

O que é ridículo, visto que o corpo não consegue se acostumar a esse ritmo insano. Até consegue, para falar a verdade, mas perde uma boa parte de sua sensibilidade. Aqui consigo sentir o gosto de cada coisa que como. Se a vagareza me irrita? Sim, bastante. Principalmente quando se tem uma boa quantidade de filmes para se ver, como é o caso de Tiradentes. Só que não há como lutar contra ela, sabe? Então, tento desfrutá-la.

É muito estranho que o ritmo da Mostra não consiga casar com o ritmo da cidade. Dá para perceber pelo jeito da cidade, que a quantidade de horários e eventos dessa mostra destoam do cotidiano das pessoas. Estamos falando de uma cidade em que o principal restaurante [Atrás da Matriz] não funciona no almoço durante a semana, poxa vida!

A quantidade de cineastas que andam por essas ruas é quase tão grande quanto a quantidade de cinéfilos presentes na cidade apenas para o evento. E isso muda o tempo, muda o ritmo e o padrão. O cinema é muito mais do que imagens em movimento, são pessoas em movimento!

PS: Lembrei da música homônima dos Móveis Coloniais de Acaju…

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