Diário de uma Mostra – Parte VI – Os Filmes

Sim, tinha que falar de filmes alguma vez na vida durante a minha estadia por aqui. E, sim, vou fazer um dia depois de ter visto o melhor filme do festival, aliás, os três melhores filmes do festival. Três curtas que passaram seguidos na sessão da praça. Comecemos com o fato dos curtas terem passado na tela instalada no meio da praça principal. Depois de quase uma semana, não choveu ontem, o céu estava límpissimo com direito a lua cheia e estrelas [sim, consigo ver muitas estrelas no céu de Tiradentes].

Tinha acabado de sair de outro filme muito gostoso, Um Lugar ao Sol, do pernambucano Gabriel Mascaro. Todos riram com as declarações tão reais que beiravam o absurdo.  Só uma parada para explicar sobre este documentário, que falou sobre os moradores de coberturas. Ou seja, uma pequena mostra do que a classe rica brasileira pode nos falar, tiveram momentos memoráveis nesse doc. como quando uma mulher falou de como via os tiroteios do morro do lado de sua cobertura como ‘fogos de artifício’.

Pois bem, não foi este o melhor filme. O melhor veio depois de dois curtas ótimos. O primeiro falava sobre o movimento gay do Brasil; o segundo sobre o movimento da música brega de Recife (uma câmera absurdamente sem julgamentos, muito respeitosa). Isso tudo preparou o terreno para Recife Frio, de Kléber Mendonça Filho.

E se o Recife ficasse gelado?

O filme parte de uma premissa interessante, simples e, ao mesmo tempo, complexa: e se o Recife ficasse frio? Montado como se fosse uma reportagem de tv argentina – como um globo reporter – o filme conta com cenas verdadeiras do Recife,  e com alguns depoimentos ficticios de ‘personagens’ da cidade. Segundo o produtor Juliano Dormelles, o filme demorou 3 anos para ser feito. Kléber passou todo esse tempo filmando Recife quando chovia e algumas outras cidades.

As ironias presentes no filme são incriveis. Mesmo a situação sendo apresentada como irreal, a crítica do filme é bem atual, e bastante ligada à realidade.  A rua vazia gravada por Kléber era a do Recife ‘quente’; a praia vazia era do mesmo Recife turístico. Mas, a melhor sacada do filme, é mostrar que a sociedade se adaptaria a uma inversão de certezas, mas continuaria tão hipócrita tanto. Nem preciso falar da parte técnica do filme, que é primorosa, essa brincadeira entre a ficção e o real é acentuada pelo absurdo.

Esse curta foi ovacionado três vezes depois dos créditos. Todos ficaram em choque. Eu fiquei mais do que isso. Fiquei atonita, o filme mexeu comigo. Não ele sozinho, mas a conjunção de fatores elevou a experiencia de te-lo assistido à enésima potência.

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