Abercrombie & Fitch é aqui

Chupa A&F!

Tudo é escrito a tinta na internet. Fato. Nas últimas semanas, uma entrevista que Mike Jeffries, CEO da marca coxinha Abercrombie & Fitch, deu em 2006 voltou a ser comentada. Nela, Jeffries afirma com todas as letras que não quer pessoas “gordas” e “não-legais” usando a sua marca. Sete anos depois, a A&F deixou de vender os tamanhos XG e XXG e a polêmica se instaurou.

Não quero comentar o tamanho da babaquice que foi uma empresa negar um bom número de consumidores em potencial apenas em nome do “cool”. De qualquer forma, fiquei um pouco espantado quando vi uma galera aqui do Brasil alimentando essa polêmica. Isto porque, bem, grande parte das marcas (falaria 99%, mas me faltam dados empíricos) brasileiras fazem isso.

Qualquer pessoa, mulher principalmente, que use tamanhos acima de 46 sabe do que estou falando. Estou falando sobre aquela sensação ótima de vergonha que se tem ao entrar numa loja de roupas e já receber aquele olhar da vendedora, ou palavras mesmo (incontáveis vezes já escutei um sonoríssimo ‘para você, não tem roupa aqui’, seguido de um olhar de baixo a cima). Ou aquela sensação levemente desesperadora de entrar em quatro, cinco lojas seguidas e nenhuma delas ter algo perto do seu tamanho. Ou aquela frustração básica ao experimentar uma calça do seu tamanho, com uma modelagem menor. Ou, até mesmo, entrar em uma grande loja de departamento e ter que se contentar com a arara dos chamados, ahn, “tamanhos especiais” (acho uma gentileza quando chamam mais de 50% da população brasileira, que está acima do peso, de especiais, mas divago).

Essas sensações todas acontecem por um motivo que chega a ser óbvio: as marcas não produzem roupas de tamanhos maiores. Quando produzem, é em uma escala tão pequena, que acabam rápido. Ou então, quando produzem, não são do tamanho correto. E, antes que me falem que estou falando apenas a partir de um ponto pessoal, indico esta reportagem da Folha. Segundo um estudo do Senai Cetiqt, 64,4% das mulheres do Sudeste têm, em média, 97,1 cm de busto, 85,4 cm de cintura e 102,1 cm de quadril. Para elas, os tamanhos que usam estão, em média, 10 cm inadequados.  “As brasileiras são maiores do que as marcas ‘de ponta’ acreditam. A maioria delas é corpulenta e usa tamanhos entre 42 e 46″, afirmou o coordenador do estudo à Folha.

Amigos, o CEO da A&F só declarou aquilo que já passa pela cabeça das muitas outras grifes de moda, de Channel à C&A. Foi cruel? Pra caralho. (E nem um pouco real) Mas é assim que a ditadura da beleza, ou melhor dizer, o mercado da ‘beleza” age: estabelece uma padronização a partir de um modelo impossível e o consumidor que se vire para atingi-lo.

[quem ilustra este post é a foto da modelo Jes Baker, que fez uma carta aberta contra a A&F em seu blog. Achei LINDO]

PS: Entrei na tabela de tamanhos da Abercrombie & Fitch, só por curiosidade. Enquanto as roupas femininas tem o  ‘L’ (Large, ou G, no Brasil) como maior opção de tamanho; as roupas masculinas têm até o ‘XXL’ (XXG) e XL (XG), no caso das calças. Aparentemente, Jeffries só não quer mulheres gordas usando a sua marca.

PS2: Nunca achei a A&F aquela coca-cola toda. Na verdade, o Fitch escrito nas camisetas dessa grife sempre me remeteram à agência de classificação de riscos Fitch, e, na real, não acho nada cool andar com uma coisa dessas escrita em meu peito. Mas, enfim, sou eu, né?

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s