Não amigo, você não está agradando

Não, amigo, você não está agradando quando ‘faz carinho’ no cabelo de uma garota na balada.

Não, amigo, você não está agradando quando fala ‘linda’, ‘gostosa’, ‘maravilhosa’ ou qualquer outro “adjetivo” para uma desconhecida na rua. Independente do seu tom de voz.
Não, amigo, você não está agradando quando fala, aos risos, que sua colega, amiga ou companheira está irritada porque “está naqueles dias”.
Não, amigo, você não está agradando quando faz a piada do cadeado e da chave*.
Não, amigo, você não está agradando quando fala para um colega que descobriu que será pai de uma menina que ele terá “que comprar uma arma” ou que ele vai “deixar de ser consumidor para ser fornecedor”.
Não, amigo, você não está agradando quando duvida que uma mulher loira possa ser inteligente, inclusive mais inteligente que você. Ah, e nem quando faz piadas de loiras.
Não, amigo, você não está agradando quando pede, em forma de escárnio, “então me explica qual é a regra do impedimento” para uma garota que diz gostar de futebol.
Não, amigo, você não está agradando quando ri e aponta para mulheres gordas ou baixas ou mais velhas quando elas vestem roupas mais curtas ou mais ousadas.
Não, amigo, você não está agradando quando entra em matérias/galerias sobre musas do esporte, mensalão, julgamento e afins. Nem quando você faz ou pauta um tipo de matéria assim.
Não, amigo, você não está agradando quando você grita, na rua,  ‘gorda’ para uma mulher acima do peso.
Não, amigo, você não está agradando quando pergunta “de brincadeira” se uma menina conhece mesmo a banda estampada na camiseta dela. E agrada ainda menos se pedir que ela cite, pelo menos, um x número de álbuns dessa banda.
Não, amigo, você não está agradando quando chama ou se refere a uma mulher com um diminutivo num ambiente de trabalho e fora de qualquer tipo de contexto
Não, amigo, você não está agradando quando afirma que “atrás de um grande homem tem sempre uma grande mulher”.
Não, amigo, você não está agradando quando questiona a capacidade manual de uma mulher só porque ela é mulher.
Não, amigo, você não está agradando quando fala para uma lésbica que ela só gosta de mulher porque ela não encontrou um homem certo. Aliás, se você usa a expressão “homem certo”, você realmente não deve agradar muito.
Não, amigo, você não está agradando a sua amiga quando você fala para ela dar em cima do chefe para subir de cargo.
Não, amigo, você não está agradando quando “elogia” o decote de uma desconhecida na rua.
Não, amigo, você não está agradando quando diz que uma menina é pra namorar e a outra para pegar.
Não, amigo, você não está agradando quando coloca a mão na perna de uma mulher desconhecida no transporte público.
Não, amigo, você não está agradando quando fala para uma garota “feia” que ela deveria lhe agradecer por você ter beijado ela.
Não, amigo, você não está agradando quando você sabe que recebe mais que a sua colega de trabalho e diz “mas o ambiente está mudando, as mulheres já estão no poder”.
Não, amigo, você não está agradando quando fala “mulher gosta de dinheiro, quem gosta de homem é gay”.
Não, amigo, você não está agradando quando bate no peito de orgulho e diz que você “ajuda em casa” porque você “até sabe lavar a louça”.
Não, amigo, você não está agradando quando diz que a mulher tem que ser tratada como rainha.
Não, amigo, você não está agradando quando chama uma mulher que gosta de sexo de “vadia”, “puta” ou afins.
Não, amigo, você não está agradando quando é mais gentil com uma mulher só porque você está interessado nela.
Não, amigo, você não está agradando quando você justifica seu ciúme como “proteção”.
Você não está agradando. Não é engraçado, não é lisonjeiro, não é divertido, não é agradável. É só irritante, babaca e machista mesmo.
[* Aluna ao mestre: “Mestre, não entendo. Se um homem transa com várias mulheres, ele é visto como um garanhão. Se uma mulher transa com vários homens, ela é vista como uma vadia. Não é injusto?”
Resposta do sábio mestre: “Minha filha, pense nisto da seguinte forma. Se uma chave abre várias fechaduras, ela é uma chave mestra, uma coisa boa de se ter. Já uma fechadura que é aberta por várias chaves diferentes… bem, esta é uma péssima coisa para se ter”.]
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