Beijo gay, abraço gay e homofobia hétero

Conversava com um grande amigo meu sobre primeiro encontro. Ele, ansioso, não sabia se devia ou não cumprimentar o garoto que havia conhecido na semana anterior – e com quem havia trocado muuitas mensagens – com um selinho, um beijo na boca ou um no rosto. Ri um pouco, não deixei ele terminar o seu anseio e já fui falando que isso era um medo normal. Que todas as minhas amigas passavam por isso, de não saber muito bem o que fazer no ‘primeiro encontro do primeiro encontro’. Ele logo me interrompeu falando que, não, não era essa a saia justa a qual ele se referia: ele não sabia se deveria ou não beijar o pretendente porque não sabia se o shopping escolhido para o encontro era seguro ou hostil com um beijo entre dois garotos.

Esse medo, pequeno medo do meu amigo, me atingiu como um raio. Eu, heterossexual, nunca saberei o que é essa sensação de vigilância e medo enquanto saio com meu namorado. Não preciso me preocupar com o local de nenhum encontro porque, a priori, todos os shoppings, praças, ruas e avenidas aceitam beijos entre casais heterossexuais. E, a não ser que esteja fazendo algo realmente indevido com meu namorado em público, ninguém vai me repreender. Nem preciso falar o quanto essa diferença de tratamento me deixa frustrada.

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Na última sexta-feira (31.1), a rede Globo transmitiu um beijo entre dois homens na novela das oito/nove, “Amor à Vida”. Comemorado como um gol em final de copa do mundo em alguns pontos de São Paulo, o beijo entre os personagens de Mateus Solano e Thiago Fragoso foi mais do que esperado, uma vez que condizia com todo o trabalho dos atores, bem como com a história da novela. O capítulo teve 44 pontos de audiência média.

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Já discuti em reuniões de família e fortemente ao escutar um querido tio meu dizendo que, da próxima vez que visse duas pessoas do mesmo sexo se beijando, ele iria intervir. Intervir em que? Por que? Por que tanto ódio? Para que?

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Lembrei da conversa com o meu amigo não por causa do Félix, mas por causa dessa reportagem do iGay,  que capta a reação do mais variado tipos de pessoas a um beijo e a uma troca de carícias de um casal de pessoas do mesmo sexo. No geral, as reações são negativas: vão de brincadeiras à hostilidade explícia. Pensei na conversa, na verdade, por causa do comentário de Iran Giusti, o repórter em questão, sobre como foi acompanhar esta reportagem nas ruas de São Paulo.  Foi uma das experiências mais tristes que já tive, disse Giusti.

Ainda não é fácil ser gay num país cuja homofobia é escondida em volta de piadas, intervenções, incômodos pessoais e “liberdade de expressão.

 

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