Futebol e a cidade

Santos e Corinthians. Final do Paulistão 09. Fazia alguns anos desde que uma final do campeonato paulista não agariava dois grandes times. Corinthians ganhou, sorte da galera da fiel, e do Ronaldão (que pode ter dado baile, ter feito dois gols lindos no primeiro jogo, mas continua estando gordo, na minha opinião).

Mas, como assim, eu, falando de futebol? Eu a pessoa mais cultura-arte-cinema-para-o-mundo, falando de futebol, algo que só conheço de ver algumas vezes e de memórias ótimas da minha avó assistindo. Salvo as vezes que vejo com o meu pai e meus tios/primos, mas isso é mais pela companhia que pelo jogo em si.

Por isso, aqui, não quero falar do jogo. Milhares de sites, blogs e bla bla bla vão repercuritr o quase-incendio da comemoração. As jogadas certas e erradas. As táticas e jogadores. Não, o que quero falar aqui, é das cidades. Minhas duas queridas cidades: Santos e São Paulo!

Sempre gostei de Santos quando o Santos vai para a final dos campeonatos. A cidade fica mais alegre. Bandeiras surgem nas janelas. Uma vez, no final de 2002 (o históórico Brasileirão de 02!), lembro de ter visto uma toalha do Santos colocada na janela como bandeira. O morador , ou moradora, por falta de bandeira, encontrou na toalha mais ou menos velha, uma maneira de mostrar para quem passasse na frente de sua casa, que era santista mesmo, com orgulho e amor (ou seria paixão?!).

Na final do Paulista não era diferente. A cidade naquele clima de “Vamos, Santos, vamos ser campeões”. Em todos os canais, uns ambulantes vendendo bandeiras e camisetas. Na padaria “A Santista” [que será o tema do nosso próximo post em um futuro não tão distante], uns tocando pandeiro, muitos bebendo, e todos, sem exceção, com alguma coisa, camiseta, caneca, chinelo, cueca, do Santos.

Na hora do primeiro jogo, juro, senti um silêncio na cidade. Como se ela, por inteiro, estivesse prestando atenção nos passos dos jogadores. Quando o Corinthians fez o primeiro gol, então?! Silêncio. Alguns Corinthianos e/ou “do-contras” soltaram gritos. Mas, no geral, estava tudo, inclusive a sala em que me encontrava, silencioso.

E assim permaneceu até o final do jogo. É, não é sempre que se pode ganhar.A avenida da praia ficou vazia durante duas horas, de um domingo de sol! Sim, meninos, eu vi!

Acreditava, de verdade, que isso era apenas clima de uma cidade-média, em que, invariavelmente, a família de algum morador conhece alguém da familia de outro, e por aí vai.

Pois bem, ontem, dia do segundo jogo da final, provou que a reação não acontece apenas em pequenas cidades. E está longe de não ocorrer numa São Paulo em virada cultural.

Moro um tanto perto do Pacaembu, na verdade, para vir para minha casa, da Paulista, pego os mesmos ônibus que as pessoas que vão para o Pacaembu tem que pegar. Eles param na Dr. Arnaldo, e procuram algum que desça a Cardoso de Almeida, ou a própria Av. Pacaembu; eu, continuo até chegar na Heitor Penteado.

Bem naquela tarde, estava voltando da casa de uma amiga minha. Voltando da Furada, quer dizer, Virada Cultural. Presenciei e senti um clima de Santos em São Paulo. Por causa do futebol.

Corinthianos com bandeiras, passando buzinando. Alguns apartamentos com bandeiras do Timão hasteadas, ou colocadas, desajeitadamente, sob o parapeito da janela. Silêncio e um estranho vazio no meio de uma Paulista-de-Domingo (não que, no domingo, a Paulista esteja cheia. Arrisco dizer que ela fica mais lotada na segunda que no domingo, mas tudo bem).

A alegria e a afobação pelo título estavam no ar da cidade. Quando o jogo terminou, então. Rojões, buzinas, gritos, muitos gritos, ecoaram no ar, pelo menos , da zona oeste.

Posso ficar desanimadinha, já que não foi o meu time que ganhou, mas, mesmo assim, é interessante, para não dizer, estimulante, ver que São Paulo tem ares de cidade pequena quando quer. Que, no meio da imensidão dos 10 mi. de habitantes, ainda batam corações torcedores, apaixonados e animados.

É bom saber que, dentro dessa cidade, pulsam pessoas de verdade. E não apenas, figurantes-que-esbarram-na-gente-no-metrô.

Anúncios