Tchau, Neymar!

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Neymar chora no começo de sua última partida no Santos

(ATENÇÃO: A autora do post herdou de seu pai , de sua avó , de sua família- e de sua cidade – um amor incondicional pelo Santos Futebol Clube. Acho bom sempre avisar antes.)

Neymar chorou ao escutar o hino nacional no seu último jogo com a camisa do Santos. E eu chorei com ele. Então o menino se foi. Finalmente, alguns dizem. E deixa para trás uma tristeza para o Santos. E, porque não, para o futebol brasileiro.

Não vou falar de dribles, de jogadas, de golaços. Nem de títulos. Acho que os muitos jornais e comentaristas esportivos de futebol já colocaram isso tudo muito bem. Também não quero comentar sobre as inúmeras, e nem sempre acertivas, campanhas publicitárias estreladas por ele, o menino de ouro da Vila Belmiro.

O Santos perde, e muito, porque vê indo embora um garoto que jogava no time para qual torcia. Um detalhe que faz muita diferença nos momentos de hoje. Esse fator criava uma motivação fora de série, mesmo em jogos ruins, era difícil ver o Neymar sem vontade. E, cara, nada mais incrível do que ver um jogador do seu time jogando com muita vontade.

Colocado de lado por Luxemburgo, que em 2009 chamava o  garoto de “filé de borboleta”. o menino chamou atenção com o Santos de 2010 ao protagonizar partidas com placares inimagináveis. Talvez, pensei eu, ele seja mesmo um craque. Como santista, vê-lo em campo me dava mais confiança. Quando estava num dia inspirado então, sai de baixo que o Neymar é nosso. Todos o queriam fora do País em 2011, e ele, junto do Santos, escolheu ficar.

“Por dinheiro”, muitos falam. Mas não só por isso. Ele escolheu ficar porque, pasmem, ele gostava do [e de] Santos e do Brasil. Ele gostava de jogar no time dele, gostava de morar onde ele morava e viu possibilidades de explorar esse ambiente de forma financeira, o que tornava o acordo europeu bastante desvantajoso, mesmo que muito lucrativo (e em euros).

Devo confessar, por uns meses, achei que a escolha dele fosse forçar uma melhora do futebol brasileiro como um todo. Achei, de maneira muito emotiva, que o fato dele ter batido o pé para continuar na Vila Belmiro fosse chamar atenção de outros jogadores, que deixariam de aceitar contratos insanos em times sem expressividade apenas pelo montante de dinheiro. Achei que estes garotos começariam a perceber que há, sim, caminhos dentro do futebol brasileiro, mesmo que não muito rentáveis, mas proveitosos de outra maneira. O fato do Neymar ter ficado no Santos mostraria para eles, sonhava eu, que ser venerado por uma torcida e ter uma boa união de equipe poderiam bastar.

Achei, também,que os cartolas também pensariam melhor na hora de colocar seus melhores jogadores no mercado, como produtos em uma vitrine de luxo. A utopia, como sabemos, não aconteceu. Nos anos seguintes à sua escolha, as vozes dos “entendidos” ecoavaM cada vez mais fortSe: Neymar precisa sair para ser o melhor do mundo. Precisa. Precisa. Precisa. E cada jogo pelo Santos, para esta galera, significava que ele estava mais longe do tão sonhado troféu da Fifa. Quem me dera fosse diferente, mas não foi.

Então o acordo foi fechado. E aquela utopia que eu sonhei, talvez, ainda possa acontecer. Afinal, até na sua saída o garoto ensinou alguma coisa para os seus parceiros: optou pelo time que paga menos, porém, o que ele sonha em jogar. Num momento em que o futebol vira este negócio com cifras enlouquecedoras, dignas de operações entre empresas, o menino da Vila optou pelo Camp Nou em detrimento ao Bernabeu.

O menino, minha gente, ama ser jogador de futebol. Ama mais jogar futebol do que ganhar dinheiro. Diferente de milhares que também amam, ele deu certo naquilo que ama. E é isso, no final de contas, que vai fazer falta. MUITA falta, para o meu time e, talvez, para os outros.

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Tchau, menino. Valeu pelo amor à camisa do time que eu – e mais outras milhares de pessoas – também amam

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Fones de ouvido

Confesso, não era uma pessoa que conhecia os caminhos do transporte público quando morava em Santos. Não usava ônibus de jeito nenhum, sempre arranjava um jeito de pegar carona com pai de amiga, ligava pra mãe e afins. Pois bem, apesar de todos os apertos e desapertos, trânsitos e furtos, aprendi a usar [e até a ver alguns pontos positivos] no bus aqui em São Paulo. É só colocar o fone de ouvido, torcer pro motorista não ser um maluco e ir.

Ou não, né?

não, a foto não é minha, #droga

Num dia desses nas minhas tão magras férias agora de julho, fui até o centro de Santos para buscar meu passaporte e, de lá, fui até o Gonzaga. Eu e meu inseparável companheiro, o ipod roxo [que, junto dos livros 5, 6 e 7 do Harry Potter foram meu conforto neste fim de junho/início de julho]. Qual foi a minha surpresa quando as pessoas do ônibus me olharam de maneira estranha quando coloquei os foninhos brancos do iPod?  Primeiro achei que a música estava muito alta. Não.  Então não liguei muito, estava um sol lindo e o õnibus segui até que um caminho legal.

Só depois me liguei que ninguém, NINGUÉM no ônibus estava usando fone de ouvido. Nem nas ruas. Ninguém nas ruas do gonzaga [ou até mesmo nas ruas do meu bairro, no mercadinho do lado] andava com fone de nada. Sem contar que o ritmo em que andava era quase maluco para as pessoas do meu lado. Percebi que passava esbarrando nelas – e que elas, por sua vez, me olhavam assustadas -, como se estivesse com muita pressa de chegar a lugar algum. Afinal, estava de férias e, naquele dia em específico, não tinha nenhum horário marcado com ninguém.

É interessantemente assustador como nos acostumamos com certos hábitos. Como nos tornamos insensíveis a eles. Acho que naquele momento, ou melhor, um pouco depois desse passeio de ônibus por Santos que comecei a me dar conta o quanto São Paulo é violento. Não nos índices de homicídio ou morte. Mas violento com o nosso tempo interno. São Paulo tem o poder de acelerar a nossa vida e de nos tornar mais auto-centrados. Cada um no seu quadrado.

Qual a razão, afinal, de uma pessoa escutar música enquanto anda na rua? Por que não escutar os barulhos da rua? Qual o mal em escutar as pessoas do ônibus?  Quer dizer, será que a gente precisa ser entretido a todo momento a ponto de esquecer que vive numa cidade com outras pessoas? Qual o problema em saber da existência dela?

Olha, eu tenho uma teoria sobre isso. Eu não, Marc Augé. Esse cara escreveu sobre como a supermodernidade está nos levando a criar ‘não lugares’, ou seja, lugares que servem apenas para a passagem de pessoas. Lugares com as quais as pessoas não se identificam mais. Dentro dessa ideia, eu gostaria de acrescentar que as grandes cidades, como São Paulo, exigem certas adaptações de seus moradores. Para a nossa sobrevivência, criamos máscaras de impessoalidade. Eu não sei o que ocorre com a pessoa do meu lado, ela não sabe o que acontece comigo, nós vivemos bem, cada um a nossa vida, e é capaz de nunca mais nos encontrarmos no transporte público.

No cotidiano, São Paulo é uma cidade impessoal. As ruas são não lugares. Não criam vínculos. Pelo menos, acho que sou impessoal no meu cotidiano. Os ônibus são meus grandes não-lugares; mais impessoal do que nunca. E esse contato com uma cidade pessoal no seu dia a dia, como Santos, foi uma lembrança de que, ás vezes, é melhor apenas apreciar os sons da cidade do que qualquer música da minha playlist ou preferir o contato com elas do que o touch do ipod ou, até mesmo, achar melhor caminhas ao meu ritmo e não ao ritmo de Arcade Fire*.

*Uma coincidência : o álbum The Suburbs, do Arcade Fire, fala exatamente sobre a diferença que se tem entre a vida dos suburbios e a vida das cidades. Cada qual com o seu tipo de amarra.

Conto de Fadas

Quando menina, seu sonho era enamorar-se com o menino mais bonito da região. Todos o amavam e ela seguia esse pensamento. O menino parecia retribuir o sentimento de todos.

Alguns anos se passaram e a situação não mudou. A menina cresceu, ficou tão bonita quanto o menino era. O menino ficou ainda mais lindo, agradável e amável. Ela não conseguia chamar a sua atenção, nada que ela tinha parecia fazer com que ele caíssem em seus encantos.

Quando teve a incrível ideia para conquistá-lo, um forasteiro apareceu. O forasteiro era estranho, tinha ideias bizarras, divertidas, agitadas. Nada do que a menina estava acostumada e, surpreendentemente, ela não se afastou, não conseguiu se separar daquilo que lhe era tão diferente. Ela foi dragada pelos ideais do forasteiro, com seu sotaque de outros lugares e com promessas absurdamente diferentes.

Todos ficaram em choque quando viram o que estava acontecendo entre ambos. Perceberam, e bem, que ali tinha algo mais. Passaram a perguntar para a pobre menina “como você prefere ele?” “ele é sujo, por que não continua com o menino lindo?”. E ela, confusa com toda a situação, não respondia.

Depois de um tempo, tudo se esclareceu para ela. Não estava destinada para o menino bonito, mesmo se quisesse. Estava destinada para mais, para o mundo que o forasteiro lhe trazia. Foi mais ou menos nessa época que passou a responder “porque sim” para todas as questões ferinas desferidas a ela.

O menino bonito continuou sendo lindo a seus olhos e ainda despertava muito carinho. Mas foi o forasteiro que conseguiu o seu coração.

Essa menina sou eu. Esse forasteiro é São Paulo; o menino bonito é Santos.

Parabéns pelos seus 457 anos, São Paulo! Essa é minha declaração para você!

Futebol e a cidade

Santos e Corinthians. Final do Paulistão 09. Fazia alguns anos desde que uma final do campeonato paulista não agariava dois grandes times. Corinthians ganhou, sorte da galera da fiel, e do Ronaldão (que pode ter dado baile, ter feito dois gols lindos no primeiro jogo, mas continua estando gordo, na minha opinião).

Mas, como assim, eu, falando de futebol? Eu a pessoa mais cultura-arte-cinema-para-o-mundo, falando de futebol, algo que só conheço de ver algumas vezes e de memórias ótimas da minha avó assistindo. Salvo as vezes que vejo com o meu pai e meus tios/primos, mas isso é mais pela companhia que pelo jogo em si.

Por isso, aqui, não quero falar do jogo. Milhares de sites, blogs e bla bla bla vão repercuritr o quase-incendio da comemoração. As jogadas certas e erradas. As táticas e jogadores. Não, o que quero falar aqui, é das cidades. Minhas duas queridas cidades: Santos e São Paulo!

Sempre gostei de Santos quando o Santos vai para a final dos campeonatos. A cidade fica mais alegre. Bandeiras surgem nas janelas. Uma vez, no final de 2002 (o históórico Brasileirão de 02!), lembro de ter visto uma toalha do Santos colocada na janela como bandeira. O morador , ou moradora, por falta de bandeira, encontrou na toalha mais ou menos velha, uma maneira de mostrar para quem passasse na frente de sua casa, que era santista mesmo, com orgulho e amor (ou seria paixão?!).

Na final do Paulista não era diferente. A cidade naquele clima de “Vamos, Santos, vamos ser campeões”. Em todos os canais, uns ambulantes vendendo bandeiras e camisetas. Na padaria “A Santista” [que será o tema do nosso próximo post em um futuro não tão distante], uns tocando pandeiro, muitos bebendo, e todos, sem exceção, com alguma coisa, camiseta, caneca, chinelo, cueca, do Santos.

Na hora do primeiro jogo, juro, senti um silêncio na cidade. Como se ela, por inteiro, estivesse prestando atenção nos passos dos jogadores. Quando o Corinthians fez o primeiro gol, então?! Silêncio. Alguns Corinthianos e/ou “do-contras” soltaram gritos. Mas, no geral, estava tudo, inclusive a sala em que me encontrava, silencioso.

E assim permaneceu até o final do jogo. É, não é sempre que se pode ganhar.A avenida da praia ficou vazia durante duas horas, de um domingo de sol! Sim, meninos, eu vi!

Acreditava, de verdade, que isso era apenas clima de uma cidade-média, em que, invariavelmente, a família de algum morador conhece alguém da familia de outro, e por aí vai.

Pois bem, ontem, dia do segundo jogo da final, provou que a reação não acontece apenas em pequenas cidades. E está longe de não ocorrer numa São Paulo em virada cultural.

Moro um tanto perto do Pacaembu, na verdade, para vir para minha casa, da Paulista, pego os mesmos ônibus que as pessoas que vão para o Pacaembu tem que pegar. Eles param na Dr. Arnaldo, e procuram algum que desça a Cardoso de Almeida, ou a própria Av. Pacaembu; eu, continuo até chegar na Heitor Penteado.

Bem naquela tarde, estava voltando da casa de uma amiga minha. Voltando da Furada, quer dizer, Virada Cultural. Presenciei e senti um clima de Santos em São Paulo. Por causa do futebol.

Corinthianos com bandeiras, passando buzinando. Alguns apartamentos com bandeiras do Timão hasteadas, ou colocadas, desajeitadamente, sob o parapeito da janela. Silêncio e um estranho vazio no meio de uma Paulista-de-Domingo (não que, no domingo, a Paulista esteja cheia. Arrisco dizer que ela fica mais lotada na segunda que no domingo, mas tudo bem).

A alegria e a afobação pelo título estavam no ar da cidade. Quando o jogo terminou, então. Rojões, buzinas, gritos, muitos gritos, ecoaram no ar, pelo menos , da zona oeste.

Posso ficar desanimadinha, já que não foi o meu time que ganhou, mas, mesmo assim, é interessante, para não dizer, estimulante, ver que São Paulo tem ares de cidade pequena quando quer. Que, no meio da imensidão dos 10 mi. de habitantes, ainda batam corações torcedores, apaixonados e animados.

É bom saber que, dentro dessa cidade, pulsam pessoas de verdade. E não apenas, figurantes-que-esbarram-na-gente-no-metrô.

Por quê?

Algumas vezes me deparo, e acho que isso acontece com a maioria das pessoas do planeta, com algumas situações e me pergunto: por que, raios, ela está acontecendo?

O simples fato de me perguntar, já me faz querer buscar alguma resposta plausível. Tá, talvez isso me qualifique um pouco para a profissão que escolhi. Lembro sempre de um professor (de quem não gosto, mas tudo bem) que sempre repetia “Jornalista é um eterno inconformado”.

Acho que todo o clima da música “Because” (a qual recomendo muitííssimo, by the way: é a excelência dos vocais do George, do John e do Paul em harmonia!!), que escutava agora há pouco, me pegou. E estou numa batalha para achar respostas a perguntas que há muito ficaram abertas. Como por exemplo, por que os santistas insistem em demorar para passar quando o sinal abre? E por que os paulistanos andam  (a pé, sério, eles andam a pé, às vezes!)sempre rápido, mesmo quando estão de férias?

É irritante, para não dizer outra coisa, ver que o semáforo abriu, e ninguém se move a sua frente. Aqui em Santos, isso acontece com bastante frequência (droga, sem trema!).É sabido que há um certo tempo aceitável para que os carros comecem a andar depois que a sinaleira aponta o verde, tem a ver com o tempo que o cérebro demora para reconhecer a cor, e ligar com os músculos do pé, para que eles acelerem. Bem, em Santos, esse tempo é beeeem ultrapassado.

Antes achava que era culpa da praia, as pessoas se perdiam em ficar olhando para os jardins, e se esqueciam de olhar para frente…. Mas, não. Porque o fenomeno acontece também, nos cruzamentos da Azevedo Sodré com o Canal 3, ou, naqueles cruzamentinhos pequenos do centro. Acho que a praia não explica nada.

Para os paulistanos, diria que muitas vezes me vi implorando para que meus amigos andassem mais devagar. Sempre com o passo rápido, sempre atrasados. Acho que os paulistanos estão tão acostumados a andar contra o relógio, que fez com que os seus organismos virassem do “Humanus Atrasadus”, uma divisão da raça humana em que os seres estão ligados ao relógio, andam rápido, e reclamam quando estão em alguma fila e/ou atrás de alguém parado.

Como veem (odeio esse acordo, prontofalei!), as duas explicações se juntam. Minha irritação com os carros parados só pode indicar uma coisa: estou me tornando uma paulistana, socorro!

Orquestra, Praia e alguma confusão

Saída de terras paulistanas. Falo aqui da planicie, lá do além Serra. E…já com histórias para contar.

Para continuar a “tradição” a prefeitura da cidade e a Sabesp ofereceram um concerto de graça na praia : a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP) tocaria, como foi no ano passado, bem em frente ao canal 3, no coração da praia do Gonzaga.

Certo, muito legal. Santos é ótima em termos culturais, sério, falo não só como santista. Quer dizer, é a terra de Plinio Marcos, Cacilda Becker e Ney Latorraca. Temos um grande background na área artística. Tanto que, numa cidade de quase 400 mil habitantes, há 3 casas de Teatro fixas (e uma que serve de teatro às vezes); 3 cinemas difentes, e um patrocinado pela prefeitura em que se passam filmes-off-hollywood e 3 lugares para shows consideráveis, sem contar na praia…

De qualquer maneira, voltemos para a Orquestra. E para o show de graça. Bem, o concerto começava às 20 hrs, cheguei lá umas 18 e 40, já que minha mãe precisava estacionar o carro, e a cidade, já, está lotada. Aproveitamos para pegar um lugar mais legal; ficamos na frente do palco. Tinham muitas outras pessoas, sentadas em cadeiras de praia ali perto do palco. A maioria delas, velhinhos e velhinhas (Santos é uma cidade de idosos, fato!).

Quando a orquestra entrou para testar o som, e os intrumentos. Começou um burburinho de reclamação das pessoas que estavam sentadas, para aquelas que estavam de pé.  Os sentados queriam que as pessoas não ficassem de pé na frente deles. O que ocorria era que, nem todos (como eu própria) levaram cadeiras, então, nos restava ficar de pé. Mas, aqueles que levaram as cadeiras achavam que era um absurdo, um desrespeito, de nós ficarmos em pé.

Continuamos em pé, e as pessoas continuaram reclamando. Principalmente, com um grupo de “jovens” que estavam do lado direito. As senhoras reclamavam, falando que aquilo era um desrespeito contra os idosos. Que eles mereciam ficar em pé, e aquelas pessoas não deviam ficar em pé na grande, atrapalhando a visão dela e de mais algumas outras senhoras.

A Orquestra entrou, para começar verdadeiramente o concerto. Primeiro tocou uma música muito bonita, composta por Villa Lobos para um filme. Tudo se silenciou, o maestro, John Neschling , falou que iam começar a tocar o Concerto, que teria 9 movimentos.

Quando a OSESP se preparava para começar, um coro veio das pessoas sentadas falando “Senta, senta…” Neschling olhou, e, acanhado, falou que esa melhor que todos se sentassem. As pessoas sentadas bateram palma, e o coro continuou. O maestro ficou sem saber o que fazer. Porque nessa brincadeira, começou uma pequena briga entre as velhinhas sentadas e as pessoas em pé.

Um grande bate boca. Nessa brincadeira, a Orquestra não tocou nada, ficou lá, presenciando uma das cenas mais vergonhosas que eu já vi em minha vida, uma das materializações mais …vergonhosas.. da falta de educação. Vinda daquelas pessoas em que se esperava que houvesse o mínimo da boa convivencia,  daquelas que todos nós somos ensinados a respeitar.

O maestro ainda interviu mais uma vez, falando que era melhor que as pessoas ficarem do jeito que achassem mais confortável. Mesmo assim, os gritinhos continuaram. E a orquestra ficou de mãos atadas, sem saber o que fazer, já que precisavam do silêncio para começarem a tocar (o concerto começava com o som do vento, feito com instrumentos de sonoplastia no próprio palco).

John Neschling , então, não pensou duas vezes. E se pôs a reger o Hino Nacional. A Orquestra tocou, sem partitura nem nada. Aqueles que estavam mais atrás, não perceberam tal manobra do maestro. Mas, para mim, ficou claro o porquê do uso do Hino: ele queria mostrar qual era a verdadeira civiliade, e queria mostrar para aqueles que a tinham esquecido, que ela ainda existia.

Nessa hora, morri de vergonha. Não cantei o hino. Mas admirei bastante o ato de bravura, e de ousadia do maestro.

Mesmo assim, bateram palma no final do hino.

 

Nessas horas, me envergonho de pertencer a raça humana.

Primeiro Post

Achho que, no minimo, devo fazer as devidas apresenações de tudo.

Olá, prazer, sou Camila de Lira (Colantônio, a faculdade me fez tirar o meu último e mais bonito sobrenome, mas tudo bem), estudante de jornalismo da ECA-USP.  Não sou paulistana, apesar de ser paulista. Nasci e vivi boa parte dos meus aninhos em Santos, ali no litoral, no além-Serra-do-Mar.

Desde que comecei a morar em Sampa, no começo desse ano, passei a analisar e a me admirar com certos choques culturais que não acreditava que existiam. Hábitos diferentes, tempos difusos e gírias excêntricas. Por isso, resolvi fazer este blog.

Para ser algo diferente do que o meu outro blog, nada de confissõezinhas semi-adolescentes de sentimentos criptografados. Ou seja, vou tentar apresentar todas as minhas idéias que compartilho com amigos em mesas de bar e na mesa do bandejão!
Bem vindo à Paullistânia, onde TUUUUDO pode acontecer!